Catarina Martins diz que maioria absoluta do PS está a "tropeçar nos próprios pés"
A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu hoje que a maioria absoluta do PS "só traz instabilidade" e está a "tropeçar nos próprios pés", dizendo que "não se conhece" o projeto do partido para o país. "Não se conhece nada [projeto para o país], a não ser o PS a tropeçar nos seus próprios pés, muito contente por ter maioria absoluta", afirmou Catarina Martins. A coordenadora do BE, que falava aos jornalistas à margem de um encontro com os trabalhadores despedidos do café Embaixador, no Porto, considerou que no PS "só há descoordenação" e "complacência para com o privilégio" que "ofende quem vive do seu trabalho (...) e todos os dias luta tanto para chegar ao fim do mês". "A maioria absoluta do Partido Socialista até pode ser estabilidade para os membros do PS, mas é a absoluta instabilidade para o país, como está à vista", defendeu. Catarina Martins disse ainda não saber "o que o PS quer fazer com esta maioria absoluta pelo país", considerando "inexplicável" que o primeiro-ministro, António Costa, continue em silêncio. "Qual é o projeto do Governo para o país? Alguém sabe o que é o PS quer fazer com esta maioria absoluta pelo país? Não há um projeto de recuperação de rendimentos do trabalho, não há um projeto para garantir bens essências, como o acesso à habitação, não há um projeto para a modernização e o reforço de serviços públicos fundamentais, como a escola pública e o SNS [Serviço Nacional de Saúde]", disse. E acrescentou, "a maioria absoluta do Partido Socialista só traz instabilidade ao país, porque não tem nenhuma direção para este país". Questionada sobre a mensagem de Ano Novo do Presidente da República, a coordenadora do BE disse ser "claro" que Marcelo Rebelo de Sousa considera que o Governo "deve permanecer em funções". "Numa situação de maioria absoluta, essa é a decisão do Presidente da República", considerou. Na sua mensagem de Ano Novo, o Presidente da República alertou que Portugal entra em 2023 obrigado “a evitar que seja pior do que 2022”, que “não foi o ano da viragem esperada”. Marcelo Rebelo de Sousa avisou ainda que só o Governo e a sua maioria “podem enfraquecer ou esvaziar” a estabilidade política existente em Portugal, considerando que a maioria absoluta dá ao executivo “responsabilidade absoluta”.