PSD/Congresso: David Justino convicto de que convergência se vai “sobrepor a eventuais diferenças”
O vice-presidente do PSD David Justino afirmou hoje esperar que o 39.º Congresso do PSD seja uma reunião “animada” e com debate, mas manifestou-se convicto de que a convergência “irá sobrepor-se a eventuais diferenças” que possam existir. No final de uma audiência com a Federação Nacional de Educação, na sede nacional do PSD, David Justino foi questionado pela agência Lusa sobre as expectativas para a reunião magna do partido, que decorre entre sexta-feira e domingo em Santa Maria da Feira (Aveiro). “Os congressos são sempre reuniões animadas, em que a riqueza das posições e a diversidade dos olhares é sempre muito realçada, isso é positivo. o PSD não se assemelha em nada a qualquer partido tipo norte coreano”, salientou. Ainda assim, o vice-presidente de Rui Rio desde 2018 afirmou que, havendo já “um líder eleito e legitimado” em diretas, e com uma moção de estratégia apresentada que irá a votos no Congresso, “uma parte está resolvida”. “Podemos, em torno disso, pôr o PSD a lutar pelo seu objetivo que é ganhar as próximas eleições. Eu acho que não nenhum social-democrata que não o queira fazer”, realçou. Questionado se a proximidade das legislativas, marcadas para 30 de janeiro, poderá condicionar o tom da reunião, Justino considerou que “as pessoas que têm alguma coisa a dizer vão aproveitar para o dizer”. “Mas há uma determinada altura em que é preciso passar do debate para a convergência e, portanto, a convergência com certeza que irá sobrepor-se a eventuais diferenças que possam existir”, considerou. Essa é também a convicção de vários destacados militantes sociais-democratas ouvidos pela Lusa, incluindo figuras críticas da estratégia do atual presidente do PSD. A divisão quase ao meio do partido nas diretas de 27 de novembro - Rui Rio derrotou Paulo Rangel por 52,4% dos votos - e a exclusão de muitos apoiantes do eurodeputado, incluindo líderes de distritais, nas listas de candidatos a deputados ainda poderão ter eco em intervenções pontuais no Congresso de Santa Maria da Feira (Aveiro). No entanto, os discursos das principais figuras críticas do PSD não deverão pôr a tónica na divisão, mas na necessidade de unidade, pelo menos até às legislativas. “É a hora de Rio e dos seus apoiantes” ou “esta não é a hora da controvérsia” são frases repetidas por críticos de Rio sobre o tom esperado para o Congresso. Tal como é tradição, deverão multiplicar-se as listas ao Conselho Nacional - no último Congresso foram dez - entre a lista oficial, outras afetas às sensibilidades que têm saído derrotadas em diretas e até encabeçadas por apoiantes de Rui Rio. O adversário mais recente de Rio, Paulo Rangel, fará uma intervenção, mas “não vai contribuir para a criação de listas alternativas” e ele próprio não deverá integrar qualquer lista ao Conselho Nacional, disse à Lusa fonte próxima do eurodeputado. Luís Montenegro, que se bateu com Rio nas diretas de 2020, também irá falar aos congressistas, numa intervenção que apoiantes próximos antecipam como de “contributo para a campanha eleitoral” que se avizinha, não deixando de expressar as suas opiniões sobre o futuro. O ex-líder parlamentar do PSD apoiará uma lista ao Conselho Nacional “abrangente”, “não de fação” e de “continuidade” com a que foi liderada há dois anos pelo ex-autarca de Famalicão Paulo Cunha, mas ainda não foi anunciado quem a encabeçará. Também o ex-candidato à liderança em 2020 Miguel Pinto Luz falará no Congresso e está envolvido na organização de uma outra lista ao Conselho Nacional, não sendo certo que seja o vice-presidente da Câmara de Cascais a liderá-la. A lista oficial da direção a este órgão - considerado o parlamento do partido - terá de ter um novo primeiro nome, já que foi Paulo Rangel a encabeçá-la em 2018 e 2020. Também a habitual lista protagonizada por Joaquim Biancard Cruz e Duarte Marques está a ser preparada, faltando confirmar se será o ainda deputado e antigo líder da JSD a liderá-la. Nas escolhas de Rui Rio para os órgãos nacionais, que serão eleitos no domingo de manhã, a tónica deverá ser a da continuidade, até pela proximidade das eleições e a incerteza de qual será o papel do partido depois de 30 de janeiro, se no Governo, se na oposição.