“Escute o seu coração" é mote de campanha global
“Escute o seu coração" é o mote da campanha global lançada pela Atrial Fibrillation Association e pela Arrhytmia Alliance e que em Portugal conta com o apoio da Fundação Portuguesa de Cardiologia. A campanha apela, durante esta semana - Semana Mundial do Ritmo Cardíaco -, à importância de conhecermos o nosso ritmo cardíaco e assim detetarmos possíveis arritmias, mostrando que podemos começar por um simples gesto, a verificação do pulso. Um procedimento simples que leva 30 segundos e que pode salvar vidas Segundo Manuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, “o diagnóstico atempado de arritmias como Fibrilhação Auricular pode revelar-se decisivo na prevenção de complicações como AVCs, insuficiência cardíaca, demência ou mesmo morte súbita. Grande parte das arritmias podem ser controlada através da gestão de comportamentos, hábitos de vida e medicação. Quanto mais cedo a detetarmos, maior a probabilidade de sucesso teremos no seu controlo", informa. Fibrilhação Auricular é a arritmia mais comum A partir dos 40 anos de idade, a prevalência da Fibrilhação Auricular entre os portugueses ronda os 2.5 %. Ao passar os 65 anos, uma em cada dez pessoas terá desenvolvido esta arritmia. Embora bastante prevalente, grande parte dos casos de Fibrilhação Auricular é silenciosa. Só se deteta demasiado tarde e depois de deixar sequelas ou de um episódio grave, como é o caso de um Acidente Vascular Cerebral. A deteção precoce e o controlo desta arritmia são, por isso, fundamentais para a manutenção de uma boa qualidade de vida, sobretudo em determinadas faixas etárias. A partir dos 65 anos, devemos ter particular atenção a sinais nem sempre claros como batimento cardíaco descoordenado, pulsação rápida e irregular, tonturas, sensação de desmaio, perda do conhecimento, dificuldade em respirar, cansaço, confusão ou sensação de aperto no peito. É, por isso, aconselhável que, nestas idades, para além do controlo parâmetros como o peso, a tensão arterial ou o colesterol, se avalie o ritmo cardíaco e as pulsações de forma regular. Qualquer pessoa o pode fazer, de forma simples, através da auto-avaliação do pulso. Prevenção do AVC Uma vez diagnosticada, a Fibrilhação Auricular, o risco de AVC pode ser reduzido significativamente através de terapêutica anticoagulante. Tal como na maioria dos países europeus, em Portugal, as normas aconselham a que se ministrem os novos anticoagulantes orais, também conhecidos como NOAC. Consoante a prescrição, a medicação poderá ser tomada uma ou duas vezes ao dia. O bom controlo desta arritmia, e a consequente manutenção da qualidade de vida dependem, também, do cumprimento escrupuloso da terapêutica. Qualquer alteração, deverá ser validada pelo médico assistente, aconselha a Fundação Portuguesa de Cardiologia.