2020-12-15 12:22:00 Jornal de Madeira

"Mataram o gajo", as mensagens trocadas entre seguranças do Aeroporto após tortura a ucraniano

Uma cidadã romena que trabalhava no Aeroporto de Lisboa disponibilizou à Polícia Judiciária mensagens de "WhatsApp" que mostram que vários funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e seguranças acompanharam os acontecimentos que acabaram na morte do ucraniano Ihor Homeniuk, a 12 de março deste ano. "Olha, deu nisto. Mataram o gajo", lê-se numa das mensagens de "whatsapp", publicadas na edição desta tareça-feira do "Correio da Manhã". As mensagens foram trocadas num grupo de conversação fechado, cujos membros eram seguranças e funcionários do SEF no Aeroporto de Lisboa. As mensagens demostram que aqueles estavam preocupados não tanto pelo sucedido, mas, sobretudo, por quem poderia ser responsabilizado: "Pensava que tivesse sido algo que algum de nós tivesse feito (...) Mas a culpa não foi nenhum de nós, ainda bem. Que a culpa seja dos outros". Recorde-se que a autópsia ao corpo de Ihor Homenyuk revela que este foi violentamente espancado e tinha várias costelas fraturadas. Um dos membros do grupo de "Whatsapp" também diz que "o homem foi algemado com demasiada força e perdeu a circulação nos braços". "O gajo também tinha epilepsia", acrescenta outro. Um dos interlocutores relatou ainda o alegado estado de Ihor Moenyuk na sala onde este, no último dos dois dias que passou no centro de instalação temporária do Aeroporto de Lisboa, foi espancado, algemado, amarrado com adesivo e deixado a agonizar durante mais de oito horas: "Estava parcialmente despido, sentado no chão ou num colchão. A sala cheirava mal. Estava praticamente inanimado", pode ler-se na notícia.

Pesquisa

Partilhe

Email Netmadeira