PCP insiste no controlo público da TAP
O PCP fez hoje, em Lisboa, uma “ação simbólica de solidariedade” com os trabalhadores da TAP e da aviação civil afetados pela pandemia de covid-19 e voltou a defender o controlo público da companhia aérea. Em declarações à agência Lusa, o deputado do PCP Bruno Dias explicou que esta “ação simbólica” é também “de denúncia” quanto ao atropelo de direitos dos trabalhadores que, descreveu, sentem “grande instabilidade e grande incerteza quanto ao futuro”. Além da situação de “grande gravidade” devido ao surto epidémico, o deputado comunista junta-lhe as “políticas de privatização que deixam os trabalhadores em grande vulnerabilidade”. “O que, em geral, está a afetar os trabalhadores com o ‘lay-off’, com perda de rendimentos e direitos, acontecesse com enorme peso na TAP”, disse, em declarações à Lusa por telefone, durante a ação simbólica junto ao terminal 1 de chegadas do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. A exemplo do que o PCP já fez há semanas, Bruno Dias voltou a defender o controlo público total da TAP pelo Estado – hoje tem 50% e o consórcio privado Atlântica Gateway. “Mais do que palavras, e ainda por cima palavras mais ou menos vagas”, como as do ministro das Finanças, em que Mário Centeno admitiu o cenário de nacionalização da empresa, o deputado do PCP pede decisões. São precisas “ações concretas e decisões que sejam eficazes” para o “controlo público efetivo”. É preciso, argumentou, que “o Governo, de uma forma muito clara, assuma aquilo que é uma orientação política fundamental, o controlo publico efetivo” em defesa não de interesses privados, mas sim da empresa, do “interesse nacional” e do “interesse publico”. A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 183 mil mortos e infetou mais de 2,6 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Em Portugal, morreram 820 pessoas das 22.353 confirmadas como infetadas, e há 1.143 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde. Hoje, a Comissão de Trabalhadores (CT) da TAP disse à Lusa que o Governo tem o dever e a obrigação, para com o povo português e os trabalhadores da companhia aérea, de assumir o controlo da empresa. "Agora que há uma porta aberta, agora que o Estado vai ter, com certeza, de entrar de alguma maneira com apoio financeiro à empresa, então o Estado que assuma o controlo público da empresa e que ponha estes senhores a andar", defendeu a presidente da CT da TAP, Cristina Carrilho, em declarações à agência Lusa, a propósito de uma manifestação que decorre hoje a partir das 11:30 no aeroporto de Lisboa, contra as medidas de contingência adotadas pela companhia para fazer face aos efeitos da pandemia de covid-19.