Chanceler alemão considera que subida eleitoral da extrema-direita não vai durar
O chanceler alemão Olaf Scholz defendeu hoje que o atual impulso nas sondagens do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) é um fenómeno provisório. “Estou inteiramente convencido que o resultado da AfD nas próximas legislativas [agendadas para 2025] não será muito diferente do registado nas últimas eleições”, declarou no decurso da tradicional conferência de impressa de verão. O partido anti-imigração obteve 10,3% no último escrutínio de 2021. Desde há várias semanas que esta formação política, fundada há dez anos, progride sistematicamente nas sondagens. O último barómetro político da televisão pública ZDF hoje publicado atribui-lhe 20% dos votos (mais um ponto), à frente do Partido social-democrata (SPD) do chanceler (17%) e dos Verdes (16%), aliados no Governo com os Liberais (7%). Os conservadores da CDU/CSU permanecem na liderança com 27%. O líder da CDU Friedrich Merz acusa regularmente o Governo de alimentar a ascensão do partido de extrema-direita, apontando designadamente as constantes disputas entre Liberais e Verdes no interior da coligação, e o que considera como uma ausência de medidas eficazes para reduzir a migração ilegal no país. Para Scholz, a política do Governo não é responsável por um fenómeno que também se regista em diversos países europeus, preferindo justificá-la “pela insegurança dos eleitores face ao futuro”. No entanto, considerou que a situação é melhor face à perceção existente entre a população. “Para mim, isso significa que devemos protagonizar uma política que ofereça aos cidadãos motivos para acreditarem num bom futuro”, concluiu. O AfD registou recentemente dois sucessos eleitorais inéditos, ao assumir o poder numa coletividade territorial e numa câmara municipal. Em 2024 vão decorrer eleições regionais nos três Länder do leste, Turíngia, Brandeburgo e Saxónia, bastiões do partido, que aposta nestes escrutínios para confirmar a sua ascensão eleitoral.