2023-05-08 18:51:00 Jornal de Madeira

ONU "profundamente perturbada" com demolição de escola primária na Cisjordânia

O coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Médio Oriente disse hoje estar "profundamente perturbado" com a demolição na Cisjordânia ocupada de uma escola primária, financiada pela União Europeia, por forças israelitas.   De acordo com Tor Wennesland, a demolição - que afeta diretamente a educação de pelo menos 40 crianças - seguiu uma ordem judicial israelita, que citou questões de segurança em resposta a uma petição de uma organização pró-colonatos. "Atualmente, 58 escolas, que servem 6.500 crianças, enfrentam a ameaça de demolição devido à falta de licenças de construção que são quase impossíveis de serem obtidas pelos palestinianos. O direito da criança à educação deve ser respeitado", disse Wennesland, em comunicado. O coordenador especial das Nações Unidas apelou às autoridades israelitas para que cessem tais demolições e despejos, "que são ilegais de acordo com a lei internacional", e aprovem planos para que comunidades palestinianas realizem legalmente construções que atendam às suas necessidades de desenvolvimento, inclusive para escolas. "Como reiterei (...) em Bruxelas, na semana passada, tais atos que afetam negativamente a prestação de serviços básicos para os palestinianos ameaçam a estabilidade e prejudicam a Autoridade Palestiniana", disse Wennesland. Além disso, os "persistentes impulsionadores do conflito, incluindo demolições, criam um clima de desconfiança e tensão entre palestinianos e israelitas, e minam a perspetiva de alcançar uma solução política”, acrescentou. As forças israelitas destruíram no domingo escola primária, financiada pela União Europeia, numa pequena localidade no sul da Cisjordânia ocupada, cuja construção foi considerada "ilegal" e "perigosa" por uma decisão do tribunal israelita, observaram correspondentes da Agência France Presse (AFP) no local. Segundo os correspondentes, durante a madrugada, 'bulldozers' destruíram esta pequena escola primária, localizada em Jabbet ad-Dhib, na região de Belém, após o término de um ultimato legal de dois meses para que fosse evacuada. Na altura da demolição, a estrutura - uma das duas escolas desta aldeia - estava vazia e os equipamentos tinham sido retirados, segundo um responsável municipal. A escola em causa já tinha sido destruída em 2019 e fora depois reconstruída, disse o responsável do Ministério da Educação da Palestina, Ahmed Nasser, contactado pela AFP. Em comunicado à agência francesa, o Cogat, órgão do Ministério da Defesa de Israel que supervisiona as atividades civis nos territórios palestinianos, afirmou que a estrutura foi "construída ilegalmente, sem licença". Este órgão israelita acrescentou que a escola constituía “um perigo para os seus ocupantes”, referindo a opinião de um engenheiro quanto ao risco de desabamento do edifício. Ahmed Nasser, por seu lado, enfatizou a importância da existência de tais escolas em aldeias remotas da Cisjordânia ocupada. A representação da UE nos Territórios Palestinianos disse estar consternada com a demolição, sublinhando que se trata de uma prática "ilegal sob o direito internacional". "Israel deveria parar todas as demolições e despejos, que só aumentam o sofrimento da população palestiniana e aumentam as tensões existentes", considerou a representação da UE. Quase três milhões de palestinianos vivem na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967. Cerca de 490 mil colonos judeus também moram neste território em assentamentos considerados ilegais pela ONU e segundo a lei internacional.

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