2023-02-26 17:36:00 Jornal de Madeira

Ucrânia: Líder da CIA convencido de que China pondera envio de armas para Moscovo

O diretor da CIA disse hoje estar convencido de que a China considera fornecer armas à Rússia na sua ofensiva na Ucrânia, mas não tem indicação de que uma decisão tenha sido tomada ou que material tenha sido entregue. "Estamos convencidos de que a liderança chinesa está a considerar fornecer material letal" para a Rússia, disse William Burns em entrevista à CBS. Mas acrescentou que ignora que uma decisão final tenha sido tomada nem tem provas de entrega de armas à Rússia. Os Estados Unidos acusam a China há uma semana de considerar fornecer armas à Rússia para apoiar sua ofensiva na Ucrânia, o que Pequim nega. Segundo informações da imprensa, inclusive do Wall Street Journal, seriam ‘drones’ e munições em particular. O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, expressou isso diretamente ao mais graduado diplomata chinês, Wang Yi, durante uma tensa reunião no último sábado em Munique, à margem de uma conferência sobre segurança. Washington acredita que a China já está a fornecer material não letal para a Rússia através de empresas chinesas. Por sua vez, o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, garantiu hoje à CNN que os Estados Unidos permanecem vigilantes a esse respeito e reafirmou o aviso de Washington a Pequim sobre as consequências de um fornecimento de armas a Moscovo. "Continuaremos a enviar uma mensagem firme de que enviar ajuda militar à Rússia neste momento seria um grande erro e a China não deveria fazê-lo", disse ele. Segundo Sullivan, a guerra na Ucrânia representa "sérias complicações" para os chineses, mas se Pequim decidir fornecer armas a Moscovo, isso geraria "custos reais". A China apelou na sexta-feira, dia do primeiro aniversário da invasão russa da Ucrânia, a um cessar-fogo e defendeu que o diálogo é a única forma de alcançar uma solução viável para o conflito, numa proposta com 12 pontos. O plano, divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, também pediu o fim das sanções ocidentais impostas à Rússia, medidas para garantir a segurança das instalações nucleares, o estabelecimento de corredores humanitários para a retirada de civis e ações para garantir a exportação de grãos, depois de interrupções no fornecimento terem causado o aumento dos preços a nível mundial. O plano foi desvalorizado pela generalidade dos países ocidentais, apontando a proximidade entre a China e o Kremlin, mas o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, admitiu encontrar-se com o homólogo chinês, Xi Jinping, lembrando que a China “respeita a integridade territorial” dos países e deve “fazer os possíveis para retirar a Rússia” da Ucrânia. Em entrevista à Lusa, na sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu que a China está numa situação de equilibrismo em relação ao conflito na Ucrânia e que, se fornecer armamento à Rússia, Portugal e a União Europeia terão de rever as relações com Pequim. Ao longo do último ano, a China evitou condenar a Rússia pela sua campanha militar na Ucrânia e acusou a NATO e os Estados Unidos de estarem a fomentar este conflito e “não terem em consideração as legítimas preocupações de segurança” de Moscovo. A ofensiva militar lançada em 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e mais de oito milhões para países europeus –, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Pelo menos 18 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento. A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas. A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, há exatamente um ano, 8.006 civis mortos e 13.287 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.  

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