2022-12-20 17:31:00 Jornal de Madeira

Líder do ANC admite que sobrevivência depende do combate à corrupção na África do Sul

O presidente reeleito do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla inglesa) reconheceu hoje que a sobrevivência política do partido que governa a África do Sul há 30 anos só será possível se intensificar a luta contra a corrupção pública. Cyril Ramaphosa, que citou o líder revolucionário de Cuba, Fidel Castro, no encerramento do 55.ª Congresso Nacional do ANC, em Joanesburgo, referiu que a “unidade” e a “renovação” do partido governante “é imperativa”, frisando que os membros do antigo movimento de libertação “devem servir o povo sem esperar nada em troca”. “Sabemos que encontraremos muita resistência e até as nossas ações podem aumentar as divisões dentro das nossas próprias estruturas. Mas não temos escolha: ou lidamos com a corrupção ou morreremos como movimento”, declarou o dirigente do partido histórico sul-africano. Ramaphosa, que é também o Presidente da República da África do Sul, conseguiu revalidar a sua liderança no ANC neste segundo congresso nacional em Joanesburgo, a capital económica do país, apesar de um recente escândalo de corrupção ameaçar o seu futuro político. “Reconhecemos que a corrupção dentro do ANC é uma séria ameaça à existência do ANC”, admitiu Ramaphosa, salientando que “não devemos ter piedade daqueles que roubam dinheiro dos pobres, sejam eles quem forem”. O dirigente sul-africano reiterou que o congresso “assumiu uma posição firme contra a corrupção”, sem divulgar detalhes, acrescentando que a sua “missão” ao longo do segundo mandato será a de “unir e renovar o ANC”. “Se o ANC estiver dividido, nunca será capaz de unir o povo da África do Sul”, vincou Ramaphosa, acrescentando ser necessário “agir” com “determinação” para enfrentar a “turbulência” dos contínuos cortes de energia elétrica e “remover os obstáculos ao crescimento económico e à criação de emprego”, sem precisar detalhes. Ramaphosa também pediu “unidade” aos mais de 4.000 delegados do ANC de todo o país, referindo-se à divisão interna entre os “seus” simpatizantes e “os” apoiantes do ex-presidente Jacob Zuma, que foi pressionado a renunciar ao cargo pelo comité central do partido no poder há quatro anos, devido a vários escândalos, e está no centro da maior investigação judicial à grande corrupção pública na sua governação, conhecida no país por “captura do Estado”. “Nas nossas reuniões chegamos à conclusão que devemos colocar em primeiro lugar as necessidades e os interesses do povo, especialmente os da classe trabalhadora e dos pobres”, referiu. O líder do ANC mencionou também que a expropriação de terras “deve ser abordada”, indicando que a reforma agrária no país “não é apenas para lidar com uma injustiça, mas também para ajudar a crescer a economia”. Ramaphosa reiterou que a questão da redistribuição de terras fez parte da agenda de debates deste congresso nacional do partido no poder, sublinhando que “algumas resoluções foram tomadas”, sem revelar mais detalhes. O dirigente do ANC remeteu para 05 de janeiro 2023 a divulgação das “medidas a serem tomadas” em resultado de cinco dias de deliberações no centro de convenções Nasrec, em Joanesburgo. “O ANC chegou ao fim da ‘primeira parte’ da 55.ª conferência eletiva nacional”, salientou, frisando que não estão “a encerrar a conferência, apenas a adiá-la”, anunciou o líder reeleito do partido governante na África do Sul.

Pesquisa

Partilhe

Email Netmadeira