Extrema-direita francesa votará a favor de nova moção de censura da esquerda radical
Os deputados da União Nacional (RN, extrema-direita francesa) vão votar hoje a favor da moção de censura apresentada pela França Insubmissa (esquerda radical) contra o Governo francês, como fizeram há uma semana, anunciou um deputado da RN. Os membros eleitos da extrema-direita votarão no fim do dia a sua própria moção na Assembleia Nacional francesa e, “como parlamentares livres, não distinguindo entre outras fações”, eles “votarão qualquer outra moção” apresentada em “termos aceitáveis, destinada a fazer-vos rever a vossa opinião no interesse de França e dos franceses”, declarou o deputado da RN Sébastien Chenu, na câmara baixa do parlamento francês. O seu grupo parlamentar indicou que tal significava votar a favor da moção da França Insubmissa. O apoio, na segunda-feira passada, do grupo parlamentar liderado por Marine Le Pen a uma moção de censura da NUPES (Esquerda Radical, Socialistas, Comunistas e Ecologistas) criou um mal-estar nas fileiras da esquerda, ao mesmo tendo que suscitou críticas do partido presidencial. O grupo parlamentar da França Insubmissa (LFI) – o partido de Jean-Luc Mélenchon, que se posicionou em terceiro lugar na primeira volta das eleições presidenciais de abril de 2022 – avança desta vez 'a solo' à esquerda na apresentação de uma moção de censura ao Governo, depois de este acionar novamente o artigo 49.3 da Constituição em relação à totalidade do projeto de orçamento para 2023 da Segurança Social do país. O 49.3 é um artigo da Constituição francesa que permite ao executivo fazer passar um diploma sem votação no parlamento, a menos que seja aprovada uma moção de censura. A primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, tinha já utilizado este instrumento constitucional há dez dias para fazer passar sem votação as partes das receitas dos projetos do Orçamento do Estado e da Segurança Social para 2023. Com “o uso repetido” da arma do 49.3, a chefe do grupo parlamentar da LFI, Clémence Guetté, criticou o que descreveu como “um ato violento”, uma “prova flagrante” do “isolamento” e da “minoria” do campo presidencial, privado de maioria absoluta na Assembleia Nacional. “O vosso Governo está, portanto, preso por um fio: o 49.3”, exclamou Guetté. Além dos deputados da RN, os comunistas votarão também a favor desta moção de censura, assim como a maioria dos ecologistas. Os socialistas poderão dividir-se. “O 49.3 é um fracasso, o vosso fracasso”, já que nem houve obstrução, nem acusações” nos debates na Assembleia, observou Olivier Faure, ‘número um’ do PS, dirigindo-se a Elisabeth Borne. As moções não têm, contudo, qualquer hipótese de serem aprovadas. Os deputados de Os Republicanos (LR, direita), cujos votos seriam necessários para derrubar o Governo, recusam-se a “provocar um caos institucional e um vazio governamental”.