2022-10-17 17:33:00 Jornal de Madeira

ONU diz que pelo menos 13 pessoas morreram em confrontos tribais no sul do Sudão

A ONU anunciou hoje que novos confrontos tribais no sul do Sudão provocaram pelo menos 13 mortos e 24 feridos desde a passada quinta-feira, e que mais de 1.000 pessoas foram obrigadas a abandonar as suas áreas de residência.   "A violência intercomunitária que se espalhou para a cidade de Rusire, no estado do Nilo Azul (sudeste) a partir de Wad Al Mahi em julho, recomeçou em 13 de outubro na cidade Village 6, provocando pelo menos 13 mortos e 24 feridos", lê-se num comunicado da representação em Cartum do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, no acrónimo em inglês). A disputa terá começado entre as tribos africanas rivais Al Hamaj e Hausa por questões agrícolas e a situação atual é "tensa e imprevisível", segundo a ONU, que calculou em cerca de 1.200 pessoas o número de obrigadas a abandonar as suas casas e a refugiarem-se em escolas. "Equipas de campo da Organização Internacional para as Migrações (OIM) relatam que os Hausa podem ter sido expulsos da área pela tribo Aj Yabalaween. A área está atualmente inacessível aos trabalhadores humanitários. As forças de segurança foram mobilizadas para neutralizar a situação, que permanece tensa e imprevisível com a possibilidade de retaliações a qualquer momento", acrescenta-se na nota. Calcula-se que cerca de 107.000 pessoas vivam em Wad Al Mahi, das quais 42.200 precisam de assistência humanitária, segundo fontes de organizações não-governamentais. Os confrontos ocorrem dois meses depois de as duas tribos terem assinado um acordo de reconciliação após outros confrontos étnicos que provocaram 130 mortos na mesma região. Segundo o OCHA, entre janeiro e setembro de 2022, pelo menos 546 pessoas foram mortas e 846 ficaram feridas devido a conflitos intercomunitários e ataques armados tribais, enquanto mais de 211.000 pessoas foram forçadas a fugir das suas casas. Confrontos violentos entre as inúmeras tribos que vivem no Sudão são comuns, embora essas explosões tenham aumentado nos últimos meses devido à grave crise económica e política, esta última causada por um golpe militar em outubro passado que interrompeu um processo de transição democrática iniciado em 2019.

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