2022-10-14 18:36:00 Jornal de Madeira

Novo governo com ex-líderes rebeldes nomeado por decreto no Chade

Um novo governo composto por antigos líderes rebeldes foi hoje nomeado por decreto no Chade, duas semanas após um diálogo de reconciliação nacional ter prolongado a "transição" durante dois anos e mantido Mahamat Déby Itno como chefe de Estado. O novo governo de "unidade nacional", prometido por Itno e composto por 44 ministros e secretários de Estado, inclui antigos líderes rebeldes que assinaram o acordo de paz de Doha, o que permitiu que cerca de 30 grupos armados, entre 50, participassem no Diálogo Inclusivo Soberano Nacional (DNIS) em Djamena, de 20 de agosto a 30 de setembro. Estes acordos, ratificados a 08 de agosto, foram no entanto boicotados por dois dos mais importantes grupos rebeldes, que também estavam ausentes do DNIS. A 20 de abril de 2021, após o então presidente, o marechal Idriss Déby Itno ter sido morto por rebeldes a caminho da linha da frente, o exército proclamou o seu jovem filho general Mahamat Déby Itno, 38 anos, Presidente da República, à frente de uma junta de 15 generais, por um período de transição de 18 meses, conducente a eleições "livres e democráticas". Na segunda-feira foi reintegrado como chefe de Estado por um período de transição prolongado por dois anos, sob proposta do DNIS, um diálogo no entanto boicotado por uma grande maioria da oposição política e armada. Tom Erdimi, 67 anos, cofundador, com o seu irmão gémeo, Timan Erdimi, da União das Forças de Resistência (UFR), um dos três principais grupos rebeldes chadianos, foi elevado à categoria de ministro de Estado encarregue do ensino superior e da investigação, tendo regressado ao Chade em meados de setembro, após o apoio do seu movimento ao DNIS e uma detenção de dois anos no Egito. Mahamat Assileck Halata, vice-presidente da União das Forças para a Democracia e o Desenvolvimento (UFDD), outro grupo rebelde que assinou o acordo de Doha, foi nomeado ministro do Uso da Terra e do Planeamento Urbano. Sete ministérios-chave - Finanças, Segurança Pública, Defesa, Negócios Estrangeiros, Comunicação, Administração Territorial e Educação Nacional - permanecem nas mãos de ministros do Movimento de Salvação Patriótico (MPS), o partido histórico do ex-presidente Idriss Déby. Saleh Kebzabo, 75 anos, antigo jornalista e quatro vezes candidato à presidência e opositor histórico do presidente Idriss Déby, foi nomeado primeiro-ministro na quarta-feira.

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