2022-09-26 18:56:00 Jornal de Madeira

Hungria opõe-se a sanções da UE ao nuclear russo

A Hungria, muito dependente da energia russa, opôs-se hoje a qualquer sanção da União Europeia relacionada com a cooperação nuclear com Moscovo, após as consultas do fim de semana em Bruxelas sobre novas medidas.   “Infelizmente, algumas entidades no interior da UE (…) não deixam de tentar impor obstáculos aos investimentos nucleares”, assinalou o ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros, Peter Szijjarto, na tribuna da conferência geral anual da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) em Viena. Na sua perspetiva, estes obstáculos constituem “ataques contra a soberania” deste país da Europa central, que se opõe a outras sanções energéticas, incluindo indiretas (construção, engenharia ou serviços informáticos). “Trata-se de uma linha vermelha” e semelhantes medidas “violariam as regras europeias”, adiantou o chefe da diplomacia da Hungria, país sem acesso ao mar e que beneficia de derrogações ao embargo europeu ao petróleo russo. A Hungria deverá iniciar em breve a construção de dois novos reatores nucleares, em colaboração com a empresa russa Rosatom. Destinam-se a completar os quatro em funcionamento, alimentados por combustível proveniente da Rússia e que asseguram cerca de metade da produção de eletricidade do país. A rutura da cooperação nuclear com a Rússia é exigida pelos países que apoiam o reforço das sanções – Estados Unidos, Polónia e Irlanda –, mas não obtém consenso entre os 27 Estados-membros, indicou fonte diplomática europeia citada pela agência noticiosa AFP. A Bulgária, já privada do gás russo, também tem manifestado inquietação pelo facto de a sua única central nuclear produzir cerca de um terço da eletricidade do país. O primeiro-ministro nacionalista húngaro, Viktor Orbán, que defende a manutenção de relações de proximidade com o Kremlin, voltou a criticar hoje a estratégia da UE, num contexto de inflação galopante. “A Europa deu um tiro no pé (…). Um anão impõe sanções a um gigante, e assim as sanções apenas podem funcionar no sentido inverso”, referiu durante um discurso no parlamento de Budapeste. A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,4 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A invasão russa – justificada pelo Presidente Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e “desmilitarizar” a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para Kiev e imposição a Moscovo de sanções políticas e económicas. A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 5.916 civis mortos e 8.616 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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