2022-06-06 18:57:00 Jornal de Madeira

ONU alerta que "risco de fome é maior do que nunca" na Somália

Várias agências das Nações Unidas alertaram hoje que "o risco de fome é maior do que nunca" na Somália e pediram um "aumento urgente" de apoios da comunidade internacional para evitar um desastre humanitário. O Programa Alimentar Mundial (PAM), a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), a Agência das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fizeram o alerta numa declaração conjunta. Cerca de 7,1 milhões de somalis (cerca de 50% da população) enfrentam uma crise de insegurança alimentar até pelo menos ao próximo mês de setembro, segundo uma nova avaliação da ONU. Dessas pessoas, cerca de 213.000 enfrentam "fome e fome severa", um aumento de 81.000 em relação à previsão das Nações Unidas, divulgada em abril passado. Uma histórica quarta estação chuvosa consecutiva fracassada, preços altos e uma resposta humanitária subfinanciada provocaram um aumento de 160% do número de pessoas expostas a "níveis catastróficos de insegurança alimentar, fome e doenças na Somália", segundo a nota. "Esta é uma potencial calamidade, e a falta de ação agora será trágica para muitas famílias na Somália", disse Adam Abdelmoula, responsável da ONU para o país e coordenador humanitário. "A fome custou a vida de 260.000 somalis em 2010-2011. Isso não pode acontecer novamente em 2022. É urgente que mais seja feito para evitar esse risco e que seja feito agora", frisou Abdelmoula. As agências humanitárias trataram 2,8 milhões de pessoas entre janeiro e abril de 2022, mas a nova avaliação indica que a assistência e o financiamento atuais da comunidade internacional são insuficientes para proteger as pessoas em maior risco. "Devemos agir imediatamente para evitar uma catástrofe humanitária. As vidas dos mais vulneráveis já estão em perigo de desnutrição e fome", disse o diretor do PAM na Somália, El-Khidir Daloum. As famílias somalis estão cada vez mais incapazes de suportar o aumento dos preços dos alimentos, à medida que os produtos locais secam, o gado morre e os preços dos alimentos importados atingem níveis recordes, devido, em parte, ao impacto da guerra na Ucrânia. Cerca de três milhões de cabeças de gado morreram por causa da seca desde meados de 2021, e a falta de carne e leite também levou ao agravamento da desnutrição, principalmente entre crianças pequenas em áreas de pastorícia, dependentes dos produtos locais. Desde maio passado, cerca de 1,5 milhões de crianças menores de 5 anos enfrentam desnutrição aguda até ao final do ano. "Esta é uma crise infantil. Não se trata apenas de água ou nutrição, mas também de crianças que perdem a educação, tornando-se vulneráveis ​​a questões de proteção infantil e problemas de saúde. Tudo isso afeta o seu futuro", observou a representante da Unicef no país, Angela Kearney. Esta crise está avançando enquanto o "Plano de Resposta Humanitária 2022" para a Somália é financiado em apenas 18%. Como o apoio necessário não se concretizou totalmente, "centenas de milhares de somalis correm um risco muito real de inação e morte", disse o representante da FAO na Somália, Etienne Peterschmitt, exortando a comunidade internacional a "agir rapidamente", porque ainda há "esperança".

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