2022-03-30 12:18:00 Jornal de Madeira

Queda de helicóptero na RDCongo terá sido causada por "objeto luminoso"

A queda do helicóptero que matou oito 'capacetes azuis' na República Democrática do Congo (RDCongo) na terça-feira, terá sido causada por um "objeto luminoso", indica o relatório preliminar da Missão da ONU no país (Monusco). O representante especial adjunto para a proteção das operações da Monusco, Khassim Diagne, e o porta-voz adjunto, Ndèye Khady Lo, confirmaram a informação, segundo a agência France-Presse. Khady Lo disse que "os destroços do helicóptero foram encontrados, uma investigação está em curso e permitirá saber mais sobre a natureza desse objeto" Citado pela agência francesa, o porta-voz adjunto acrescentou que é "prematuro" afirmar que não se tratou de um acidente, apesar de tudo indicar para uma causa "exterior". Por sua vez, Diagne declarou que as autoridades não vão excluir "qualquer indício", incluindo "um ataque contra o helicóptero". A queda do aparelho ocorreu quando o mesmo efetuava uma patrulha de reconhecimento na zona de Tchanzu, na província oriental do Kivu do Norte, onde na véspera o exército congolês e os rebeldes do grupo M23 ("Movimento de 23 de março") se haviam confrontado. Exército e rebeldes acusam-se mutuamente de ter abatido o helicóptero. Os corpos dos oito 'capacetes azuis' falecidos - seis paquistaneses, um russo e um sérvio - foram transportados para Goma, capital do Kivu do Norte, informou a Monusco. O M23 começou como um grupo rebelde no início de 2012 e era constituído principalmente por soldados que desertaram do exército congolês para protestar contra o Governo. Estes combatentes avançaram rapidamente e, em novembro de 2012, conseguiram ocupar a cidade de Goma durante duas semanas. Na altura, a ONU acusou o M23 de ser apoiado financeira e militarmente pelo Ruanda e mesmo de receber ordens diretas de oficiais superiores do exército ruandês. Durante meses, os Estados Unidos da América e o Reino Unido cancelaram os seus donativos e programas de cooperação com o Ruanda, cujo Presidente, Paul Kagamé, negou quaisquer ligações com o M23. Eventualmente, a pressão diplomática levou o M23 a retirar-se de Goma e a iniciar conversações de paz com o Governo congolês. Em 2017, alguns combatentes do M23 criticaram a lenta implementação dos acordos assinados nestas conversações e organizaram ataques perto da fronteira ugandesa. O Leste da RDCongo tem estado mergulhado em conflitos há mais de duas décadas, alimentados por milícias rebeldes e ataques do exército, apesar da presença da Monusco, que conta com mais de 14.000 soldados.

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