Ucrânia: Conferência internacional de doadores procura ajudar Moldova a acolher refugiados
Uma conferência internacional de doadores vai realizar-se em 05 de abril, em Berlim, para ajudar a Moldova, país na fronteira com a Ucrânia, a lidar com o fluxo de refugiados que fogem da invasão russa. A conferência será co-organizada entre a Alemanha, a França e a Roménia, anunciou hoje a chefe da diplomacia alemã, Annalena Baerbock, após uma reunião com os seus homólogos, em Bruxelas. “Juntamente com a França e a Roménia, lançaremos uma plataforma para ajudar a Moldova. Haverá uma grande conferência de doadores, em 05 de abril, em Berlim”, disse Baerbock. Pela Moldova - um pequeno país de 2,6 milhões de habitantes, um dos mais pobres da Europa, não membro da União Europeia – já passaram cerca de 360.000 refugiados do conflito na Ucrânia e cerca de 100.000 permaneceram neste país, segundo o ministro moldavo dos Negócios Estrangeiros, Nicu Popescu, que também participou na reunião em Bruxelas. "É um número considerável e tem um impacto significativo na situação socioeconómica" do país, comentou o chefe da diplomacia da Moldova. Quase 3,5 milhões de refugiados fugiram da Ucrânia desde a invasão russa, de acordo com a contagem da ONU hoje divulgada, enquanto cerca de 6,5 milhões de pessoas estão deslocadas internamente. Baerbock estimou que entre "oito e 10 milhões" de pessoas poderão vir a fugir da Ucrânia nas próximas semanas. "Nenhum país pode lidar com isto sozinho... É por isso que devemos fazer tudo juntos para garantir que possamos distribuir não apenas milhares, mas centenas de milhares de pessoas nas próximas semanas", defendeu a chefe da diplomacia alemã. “O meu apelo urgente para a Europa, para a comunidade global e para os nossos parceiros transatlânticos: precisamos de uma ponte aérea unificada da fronteira externa da UE para todos os países europeus e do outro lado do Atlântico", escreveu Baerbock na rede social Twitter. A UE também assinou um acordo com a Moldova, na passada na quinta-feira, para permitir que agentes da agência Frontex ajudem os guardas de fronteira do país a gerir o fluxo de refugiados. A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 925 mortos e 1.496 feridos entre a população civil, incluindo mais de 170 crianças, e provocou a fuga de mais 10 milhões de pessoas, entre as quais 3,48 milhões para os países vizinhos, indicam os mais recentes dados da ONU. Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia. A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.