África do Sul pretende evitar repetição da violência xenófoba
O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, disse hoje que o Governo está a monitorar cuidadosamente eventuais protestos anti-imigrantes para impedir que se transformem em ataques xenófobos quando aumenta a hostilidade contra estrangeiros na África do Sul. O Governo está ciente de "reuniões que tentam fomentar sentimentos e atitudes negativas" em relação aos estrangeiros, disse o chefe de Estado à imprensa na Cidade do Cabo após discursar no parlamento. As agências de segurança nacional estão a "vigiar" e "certificar-se-ão de que essas coisas não se transformem em violência contra estrangeiros", acrescentou. Principal potência industrial do continente, a África do Sul atrai muitos migrantes, especialmente de países africanos. Em 2019, distúrbios xenófobos provocaram 12 mortos. Com 35% da população ativa desempregada – número que sobe para 65% entre os jovens – a concorrência no mercado de trabalho causa ressentimento entre os sul-africanos desempregados. Como parte de um movimento chamado operação Dudula - "Puxando para trás” em zulu – manifestações contra imigrantes ilegais foram realizados nas últimas semanas na África do Sul. "Deixamos claro que nós, sul-africanos, não somos xenófobos, não odiamos pessoas de outros países. Na verdade, aceitamos pessoas de outros países", acrescentou Ramaphosa. O Presidente sul-africano prometeu lidar "com a atenção devida” às preocupações de que os estrangeiros ficam com os empregos dos sul-africanos. Segundo o organismo de estatísticas sul-africano, vivem no país cerca de 3,95 milhões de estrangeiros, entre refugiados políticos, expatriados qualificados ou migrantes económicos, numa população estimada em cerca de 60 milhões pelas Nações Unidas.