Protestos aumentam na Índia contra véu islâmico nos estabelecimentos de ensino
Os protestos contra o uso do véu islâmico (‘hijab’) em vários estabelecimentos de ensino no sul da Índia aumentaram hoje após vários grupos de estudantes hindus entrarem em confronto com colegas muçulmanas, causando tumultos nalgumas cidades. Esses confrontos violentos ocorreram especialmente no Estado de Karnataka, no mesmo dia em que o Supremo Tribunal da região realizou uma audiência para avaliar as denúncias de cinco jovens muçulmanas que no final de 2021 foram proibidas de frequentar as aulas com ‘hijab’, episódio que provocou a escalada da tensão. O ministro da Educação regional, B.C. Nagesh, condenou os confrontos "infelizes" e lamentou que "o local onde o conhecimento deveria ser gerado tornou-se um local de culto para alguns estudantes", insistindo na proibição de qualquer símbolo religioso. Embora esse aumento da violência tenha atingido vários Estados do sul da Índia, foi mais percetível em Karnataka, onde vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram polícias a enfrentar grupos de manifestantes em diferentes cidades. Os protestos foram realizados por grandes grupos de estudantes hindus, vestidos com lenços cor de açafrão, característicos do hinduísmo, que se deslocaram às portas dos estabelecimentos educacionais para apoiar o veto ao ‘hijab’ e protestar contra estudantes muçulmanas queixosas. De acordo com imagens de televisão, membros do corpo docente tiveram que intervir nalguns casos para separar os dois grupos, apesar de os estudantes hindus continuarem a entoar frases de ordem em hindu e a repreender as jovens. Num vídeo amplamente divulgado, uma jovem muçulmana com o ‘hijab’ é vista a ser insultada e cercada por vários alunos hindus quando estava a chegar ao seu estabelecimento de ensino, ao que a estudante responde desafiadoramente com o grito "Alá é grande". Outro vídeo que também gerou grande polémica no país mostra vários alunos a remover a bandeira nacional indiana de uma escola e a substituí-la por uma bandeira de cor de açafrão, símbolo hindu. Dada a intensidade dos protestos, o chefe do Governo de Karnataka, Basavaraj S. Bommai, decretou os próximos três dias como férias para escolas secundárias e universidades, impedindo assim a sua abertura. O Supremo Tribunal de Karnataka retomará na quarta-feira a audiência sobre a proibição do ‘hijab’. Embora a Índia seja um país laico, as tensões são frequentes entre a maioria hindu, religião de 79,8% da população segundo o censo de 2011, e os muçulmanos (14,2%), principalmente nas regiões governadas pelo partido nacionalista hindu, o BJP. As autoridades indianas temem uma escalada de violência num país que já assistiu a assassínios religiosos no passado, como em 2002 na região oeste, no Estado de Gujarat, onde confrontos entre hindus e muçulmanos causaram mais de mil mortes.