Nuclear: Negociações sobre Irão acabam este ano sem acordo, mas continuam em janeiro
As negociações em Viena para salvar o pacto nuclear com o Irão acabaram hoje sem um acordo à vista, mas com o compromisso de recomeçarem no próximo dia 3 na capital austríaca. O negociador russo, Mikhail Ulianov, assinalou em declarações à imprensa que um acordo “poderá ser alcançado na primeira quinzena de fevereiro, se fatores inesperados não interferirem e estragarem tudo”, segundo a agência noticiosa espanhola EFE. As discussões em Viena para salvar o acordo nuclear de 2015 foram relançadas no final de novembro, após cinco meses de interrupção, e contam com a participação de Teerão e dos cinco países ainda signatários do pacto (Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China). A Administração Estados Unidos, que sob a anterior liderança de Donald Trump abandonou unilateralmente o pacto em 2018 e restabeleceu sanções a Teerão, participa agora nas discussões indiretamente. “O problema é que lidamos com questões muito complicadas. Leva tempo, estamos a analisar temas como o levantamento das sanções (norte-americanas ao Irão) e questões nucleares. Não é fácil trabalhar”, adiantou o embaixador russo junto da ONU em Viena, sem dar mais pormenores. As primeiras seis rondas destas negociações decorreram entre abril e junho passados, tendo sido interrompidas as conversações após a vitória e a chegada ao poder de um novo Presidente iraniano, o ultraconservador Ebrahim Raissi. O objetivo é que os Estados Unidos voltem ao pacto e que a República Islâmica volte a cumprir as obrigações estabelecidas no acordo e que deixou de respeitar gradualmente desde 2019. O Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA na sigla em inglês), como é conhecido o acordo nuclear de 2015 entre o Irão e as grandes potências, previa o levantamento de sanções internacionais à República Islâmica, em troca de limitações significativas do seu programa nuclear.