2021-12-22 18:53:00 Jornal de Madeira

Etiópia: Exército federal anuncia ter tomado o controlo de uma cidade no Tigray

O Governo etíope anunciou hoje a captura pelas forças federais de uma cidade no Tigray, controlada até agora pelas forças leais às autoridades eleitas daquele estado, no que representa o primeiro avanço em território inimigo em muitos meses.   "As valentes Forças de Defesa Etíopes e as forças de segurança da região de Amhara, depois de expulsarem as forças inimigas, capturaram a cidade de Alamata", anunciou o serviço de comunicação do Governo numa declaração. O anúncio chega dois dias depois de as forças da Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF), que tinham feito grandes progressos militares nos estados etíopes vizinhos de Amhara e Afar nos últimos meses, se terem retirado para o Tigray, estado que há anos desafia, não apenas militarmente, a autoridade de Adis Abeba. Embora não confirmada, a retirada das forças da TPLF de Amhara e Afar, começou por ser tomada como um sinal de esperança da possibilidade de negociações para pôr fim ao confronto militar que dura há mais de um ano. Esta segunda-feira, contudo, o Governo federal considerou o anúncio de retirada da TPLF é apenas uma “cobertura” para reveses militares que as suas forças estão a sofrer. A guerra eclodiu em 04 de novembro de 2020, quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, enviou o exército federal para Tigray com a missão de retirar pela força as autoridades estaduais da Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF, na sigla em inglês) que vinham a desafiar a autoridade de Adis Abeba há muitos meses. O pretexto específico da invasão foi um alegado ataque das forças estaduais a uma base militar federal no Tigray, e a operação foi inicialmente caracterizada por Adis Abeba como uma missão de polícia, que tinha como objetivo restabelecer a ordem constitucional e conduzir perante a justiça os responsáveis pela sua perturbação continuada. Abiy Ahmed declarou vitória três semanas depois da invasão, quando o exército federal capturou a capital estadual, Mekele. Em junho deste ano, porém, as forças afetas à TPLF já tinham retomado a maior parte do território do estado do Tigray, e continuaram a ofensiva nos estados vizinhos de Amhara e Afar. O conflito na Etiópia provocou a morte de vários milhares de pessoas e fez mais de dois milhões de deslocados, deixando ainda centenas de milhares de etíopes em condições de quase fome, de acordo com a ONU. Uma investigação conjunta do Alto-Comissariado das Nações Unidas e da Comissão Etíope dos Direitos Humanos, criada pelo Governo etíope, concluiu no início de novembro último que foram cometidos crimes contra a humanidade por todas as partes envolvidas no conflito, onde participaram o exército da Eritreia, ao lado do exército federal etíope, assim como forças insurgentes do estado da Oromia, ao lado do contingente militar da TPLF. Em 02 de novembro último, o Governo etíope declarou o estado de emergência, o que "suscita preocupações significativas em matéria de direitos humanos", já que levou à detenção de milhares de etíopes, incluindo pessoal da ONU e jornalistas, segundo Al-Nashif. "Embora algumas das pessoas detidas nas últimas seis semanas tenham sido libertadas, estimamos que entre 5.000 e 7.000 pessoas ainda se encontrem detidas, incluindo nove membros do pessoal da ONU", acrescentou a responsável da ONU, observando que a maioria das pessoas detidas são de etnia tigray. Na passada sexta-feira, o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos deu “luz verde” a um mecanismo internacional para investigar os abusos cometidos na Etiópia. Os intensos esforços diplomáticos, incluindo os da União Africana, para alcançar um cessar-fogo, não produziram até agora qualquer progresso decisivo.

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