2021-11-19 18:18:00 Jornal de Madeira

Antigo presidente da RDCongo desviou pelo menos 122 milhões de euros do Estado

O antigo presidente da República Democrática do Congo (RDCongo) Joseph Kabila e pessoas próximas "desviaram" pelo menos 122 milhões de euros do Estado, com a cumplicidade de um banco, segundo uma investigação hoje divulgada.  A investigação, feita por meios de comunicação social internacionais e organizações não-governamentais (ONG), intitulada "Retenção do Congo", baseou-se em 3,5 milhões de documentos bancários confidenciais obtidos pela Mediapart e pela ONG "Plataforma para a Proteção dos Denunciantes em África" (PPLAAF). Estes dados foram analisados durante seis meses por 19 meios de comunicação social internacionais e cinco ONG, coordenados pela rede 'European Investigative Collaborations' (EIC), e nos próximos dias deverão ser detalhados os furtos realizados entre 2013 e 2018. Num comunicado de imprensa, o serviço de comunicação de Joseph Kabila descreveu as conclusões desta investigação como "falsas acusações" e "táticas dilatórias", deplorando o "ataque injustificado de certos poderes escondidos por trás destes meios de comunicação". Os cerca de 122 milhões de euros que esta investigação alega ter encontrado foram desviados "com a cumplicidade" do banco BGFI RDCongo" (a filial da RDCongo do grupo bancário BGFIBank com sede no Gabão), no qual pessoas próximas de Joseph Kabila tinham interesses e responsabilidades, "em particular através de uma empresa de fachada montada numa garagem". Segundo a investigação, esta empresa foi utilizada como "veículo para a corrupção do regime" e para "cobrar uma espécie de 'imposto Kabila' a várias instituições congolesas e empresas públicas": o Banco Central, a empresa mineira Gecamines, a Assembleia Nacional, a comissão eleitoral, a empresa de transportes e portos, o fundo de manutenção de estradas, entre outras. O banco ainda não reagiu publicamente aos dados anunciados pela investigação. "Um dos exemplos mais chocantes diz respeito ao dinheiro para as estradas, de que a RDCongo carece", explicou a Mediapart, que compara a "fortuna indecente" que a família Kabila acumulou com o estado do país, que, "apesar dos seus imensos recursos mineiros (...), é o sexto país mais pobre do mundo". Segundo o artigo hoje publicado, "mais de 70% dos congoleses sobrevivem com menos de 1,8 euros por dia, metade da população não tem acesso a água potável e 90% não tem eletricidade". Os autores da investigação acrescentam que tentaram obter respostas das pessoas envolvidas neste alegado "assalto", mas "a maioria não respondeu". Joseph Kabila chegou ao poder com 29 anos, em janeiro de 2001, após o assassinato do seu pai, Laurent-Désiré Kabila, que tinha derrubado o antigo ditador Mobutu Sese Seko em 1997. Foi presidente até janeiro de 2019, quando foi sucedido pelo atual chefe de Estado, Felix Tshisekedi.

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