Papa agraciou dois jornalistas e diz que profissão deve ser pautada pelo sentido de missão
"Verbos escutar, aprofundar, contar devem marcar o jornalismo". Palavras do Papa Francisco que ontem distinguiu dois jornalistas vaticanistas com as insígnias da Grã-Cruz da Ordem Pia. Com o objetivo de honrar os trabalhos que a dupla agraciada (Valentina Alazraki e Philip Pullella) tem vindo a fazer ao longo dos anos, mais de quarto décadas, no Vaticano e em Roma, Francisco aproveitou ainda para salientar que o jornalismo trata-se, sobretudo, de uma vocação. "O jornalismo não acontece por escolha de uma profissão, mas assumindo uma missão, como um médico, que estuda e trabalha para que, no mundo, as doenças sejam curadas”, vincou. Sobre o papel que um jornalista presta à sociedade e ao mundo, Francisco destacou que “a missão do jornalista é explicar o mundo, torná-lo menos obscuro, fazer com que as pessoas tenham menos medo e possam olhar para os outros com maior consciência e também com mais confiança”. “É uma missão difícil”, avançou, encorajando cada jornalista a “preservar e cultivar esse sentido de missão”. Na ótica do Papa, o bom jornalismo deve fundamentar-se em três verbos: “escutar, aprofundar, contar”. “Para um jornalista, escutar significa ter a paciência de se encontrar frente a frente com as pessoas a serem entrevistadas, os protagonistas das histórias que estão a ser contadas, as fontes das quais receber as notícias”, explanou. Na ocasião, o Papa Francisco agradeceu aos jornalistas por informarem com verdade sobre “o que está errado na Igreja” e por terem dado voz “às vítimas de abusos”. “Obrigado, queridos amigos, por este encontro. Obrigado e parabéns aos nossos dois ‘decanos’, que hoje se tornam ‘Dama’ e ‘Cavaleiro’ da Grã Cruz da Ordem Pia. Obrigado a todos vocês pelo trabalho que fazem. Obrigado por sua busca da verdade, porque somente a verdade nos liberta”, acrescentou.