Estatal elétrica diz que a África do Sul necessita do reforço de 4.000 a 6.000 MW
A estatal elétrica sul-africana Eskom advertiu hoje que a África do Sul necessita de 4.000 MW (megawatts) a 6.000 MW de capacidade adicional para reduzir o risco de apagões no futuro. “A capacidade é necessária para a Eskom realizar a manutenção da rede e atender à crescente demanda de energia no futuro”, adiantou o administrador André de Ruyter, por videoconferência. Nas últimas semanas, a África do Sul, com uma população de cerca de 60 milhões de habitantes, tem registado múltiplos apagões diários, por vezes até quatro por dia que chegam a durar duas horas, acentuando as críticas contra a atual administração da empresa estatal sul-africana, nomeada pelo executivo do Presidente Cyril Ramaphosa. Entre as organizações que instaram esta semana à demissão da administração da estatal elétrica sul-africana, contam-se o Black Business Council, que congrega apenas empresários negros próximos do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) governante, e o Sindicato Nacional dos Mineiros (NUM), o maior sindicato na concessionária de energia. De Ruyter explicou que a imprevisibilidade da redução da sobrecarga na rede nacional se deve, em parte, à falta de manutenção planeada que foi “negligenciada no passado”, sem precisar detalhes sobre as causas das falhas no sistema. O gestor considerou também que as políticas governamentais implementadas em 2007 e 2008, contribuíram para o “envelhecimento” das centrais de energia no país. “Os municípios também não cumprem as diretrizes contribuindo para agravar a sobrecarga”, sublinhou De Ruyter. O administrador referiu que “não tem planos para sair da empresa”. “Os anteriores gestores da Eskom deveriam ser chamados a prestar contas para explicar a falta de reforma do sistema, por exemplo, que não foi realizada como deveria e por isso estamos a sofrer terríveis efeitos colaterais”, sublinhou. “O nosso sistema de aquisição também não se adequa ao programa de manutenção operacional previsto, uma vez que o tempo de resposta aos pedidos de aprovação por parte do Tesouro Nacional é de 77 dias”, revelou o gestor sul-africano. De Ruyter salientou que, além das regras de aquisição pública impostas pelo Governo sul-africano, que exigem a contratação de 30% de serviços a empresas locais de empoderamento negro sem experiência técnica demonstrada no setor, a estatal elétrica enfrenta uma situação financeira precária e a saída de técnicos especializados do país. “A África do Sul perdeu uma série de competências, muitos técnicos da Eskom estão hoje a operar centrais no Médio Oriente e na Indonésia, onde são muito bem remunerados, os nossos técnicos são muito procurados por empresas internacionais”, afirmou De Ruyter. De acordo com o administrador, o planeamento operacional é feito com 24 meses de antecedência e, “sem liquidez financeira previsível, é um desafio formalizar compromissos contratuais para interrupções de manutenção de longo prazo”. Todavia, o gestor considerou que “o sistema foi configurado para melhorar” nos próximos dias, concluindo que a redução de carga na rede nacional de energia elétrica “é uma questão de importância nacional”. Um apagão na Zâmbia, no passado sábado, teve um “efeito dominó” na rede regional de energia elétrica na África Austral, da qual a África do Sul faz parte, segundo a empresa