Violência e destruição tomam conta das ruas após prisão do ex-presidente da África do Sul (com vídeo)
Os apoiantes do ex-presidente sul-africano Jacob Zuma, condenado na última semana a 15 meses de prisão, estão a causar distúrbios em várias partes do país, com barricadas na estradas, na autoestrada M2, disparos e apedrejamentos. Segundo noticia a AP News, os apoiantes de Zuma estão a incendiar camiões e estabelecimentos comerciais, e a bloquear estradas na província de KwaZulu-Natal. Exigem a sua libertação. No Mooi River, perto de Pietermaritzburg, cerca de 20 caminhões foram parados e incendiados na manhã de sábado. De acordo com as autoridades policiais, na sequência desta onda de destruição, já 28 pessoas foram detidas. Este sábado, o Presidente da República da África do Sul, Cyril Ramaphosa, apelou à calma após dias de violência política na província litoral do KwaZulu-Natal, vizinha a Moçambique, que eclodiu depois da prisão do ex-Presidente Jacob Zuma. Cyril Ramaphosa, que é também presidente do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), no poder na África do Sul desde 1994, disse que "o impacto da violência pública contra a indústria do transporte rodoviário de carga e a destruição das autoestradas que servem de artérias económicas afetarão também aqueles que organizam e cometem este tipo de crimes". "O Presidente Cyril Ramaphosa apelou às comunidades no KwaZulu-Natal que desistissem de minar o Estado de direito e infligir danos à economia", lê-se no comunicado divulgado na tarde de ontem, na página oficial da Presidência da República sul-africana na internet. "A Constituição salvaguarda o direito de protestar, mas o protesto não pode ser abusado para infringir a lei ou para destruir propriedade e ameaçar meios de subsistência. Os elementos criminosos devem ser condenados pela Justiça", sustentou. Por seu lado, o porta-voz do partido no poder, Pule Mabe, condenou a violência no KwaZulu-Natal, advertindo para "o impacto que poderá ter sobre a economia já em declínio". "Estamos preocupados que a destruição de propriedade e o impedimento do funcionamento da economia afetem os esforços para se criar emprego e melhorar a vida dos cidadãos", salientou Mabe, acrescentando que "a paz e estabilidade nas áreas afetadas é uma prioridade para o ANC e o movimento democrático". Zuma foi detido e encarcerado na noite de quarta-feira no Centro de Serviços Correcionais de Estcourt, província do KwaZulu-Natal.