2020-11-04 15:08:00 Jornal de Madeira

Supremo Tribunal francês confirma entrega a Espanha de etarra 'Josu Ternera'

 O Supremo Tribunal francês rejeitou hoje o recurso de José Antonio Urrutikoexea (conhecido também por ‘Josu Ternera’) contra a decisão de o extraditar para Espanha, para que possa ser julgado pelo papel desenvolvido no financiamento da ETA. O Supremo francês confirmou a decisão da instrução do Tribunal de Apelo de Paris, que, a 30 de setembro passado, se pronunciou pelo envio para Espanha do ex-dirigente da organização separatista basca, que é alvo de um mandado de detenção europeu. No entanto, antes de ser extraditado, ‘Josu Ternera’ deverá ser novamente julgado em França por duas acusações de terrorismo. O primeiro julgamento tem a data marcada para fevereiro de 2021, no Tribunal de Apelo de Paris, e o segundo em junho do mesmo ano, no Tribunal Correcional também da capital francesa. No caso de ser condenado no julgamento sumário, sob a acusação de financiamento da organização separatista basca, ‘Josu Ternera’ poderá enfrentar uma pena de prisão de mais de nove anos. Na audiência realizada hoje de manhã no Supremo, o Ministério Público francês tinha pedido para não se ter em conta os três argumentos utilizados pela defesa do ex-dirigente da ETA no recurso. Os dois primeiros, de caráter formal, eram sobre se o processo enviado pela Audiência Nacional de Madrid incluía todos os elementos necessários e sobre o mandado europeu contra Urrutikoetxea tinha sido precedido por uma ordem de detenção em Espanha. Consultado pelas autoridades judiciais francesas sobre a última questão, o juiz de instrução espanhol respondeu que a inculpação ditada contra ‘Josu Ternera’, datada de 28 de fevereiro de 2005, tinha anexada uma decisão para a detenção. A defesa também alegou que Espanha o reclamava por razões políticas, algo negado pelo Ministério Público, entre outras, recordando a jurisprudência do próprio Supremo Tribunal face a essas mesmas razões invocadas no passado por outros etarras. Os advogados de Urrutikoetxea tinham justificado o suposto caráter político do pedido espanhol sobretudo com declarações da Guardia Civil pouco depois da detenção de ‘Josu Ternera’ nos Alpes franceses, em maio de 2019, em que o apresentam como um “ícone” da organização separatista. O antigo dirigente da ETA, 69 anos, está em liberdade condicional em Paris desde fins de julho, para evitar o contágio com o novo coronavírus na prisão. Urrutikotxea tem também pendente um outro julgamento no Supremo Tribunal francês, marcado para 17 deste mês e igualmente para ser extraditado para Espanha, para ser julgado, em Madrid, pelo envolvimento num atentado contra um quartel da Guardia Civil espanhola em Saragoça, perpetrado em 1987. No dia seguinte, a 18, a instrução do Tribunal de Apelo de Paris tornará pública a decisão sobre ainda um outro pedido de extradição feito pela Audiência Nacional de Madrid, pela presumível implicação no assassínio, em Vitória, do diretor da Michelin, Luis Hergueta, em 1980.

Pesquisa

Partilhe

Email Netmadeira