2020-10-07 13:33:00 Jornal de Madeira

Navalny: Kremlin garante que especialistas podem investigar o caso na Rússia

O Kremlin garantiu hoje que os especialistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) terão pleno acesso na Rússia para investigar o caso do envenenamento do líder opositor ao regime, Alexei Navalny. O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, disse hoje, em conferência de imprensa, que “a Rússia deseja honestamente esclarecer todas as circunstâncias, razões e a essência do que aconteceu em Omsk”, referindo-se ao envenenamento de Navalny. Alexei Navalny sentiu-se mal, durante uma viagem de avião entre a Sibéria e Moscovo, em 22 de agosto, obrigando a uma aterragem de emergência em Omsk, onde o líder opositor russo foi colocado em coma, antes de ser transferido para Berlim, a pedido da família, com suspeita de envenenamento. Na terça-feira, a OPAQ anunciou que uma substância do tipo Novitchok foi descoberta no organismo do opositor russo Alexei Navalny, que esteve hospitalizado várias semanas, tendo recebido alta e encontrando-se já em recuperação, tendo dado entrevistas em que diz estar convencido de que o Governo de Putin está por detrás do seu envenenamento, apesar dos desmentidos do Kremlin. Hoje, o Kremlin convidou os especialistas da OPAQ a estudar todas as circunstâncias do envenenamento de Navalny e Peskov garantiu que os técnicos poderão “ver o que quiserem”, durante a sua visita à Rússia. O porta-voz do Kremlin disse que a Rússia pediu assistência técnica à OPAQ, bem como à Alemanha, o país que recebeu o líder opositor, e que aguarda informações completas sobre as suspeitas lançadas sobre o Governo russo. “Até agora, ouvimos apenas declarações genéricas. Elas devem ser confirmadas por informações especializadas”, disse Peskov. A OPAQ declarou que as amostras de sangue e urina de Navalny continham um “inibidor da colinestérase” similar a duas substâncias químicas do tipo Novitchok, proibidas pela organização em 2019. Em comunicado, o diretor da OPAQ, Fernando Arias, considerou que os resultados constituem “motivo de grave preocupação”. Em Berlim, o porta-voz da chanceler Angela Merkel confirmou a informação e disse que coincide com as análises efetuadas pela Alemanha e outros países. Através de uma declaração, Steffen Seibert referiu que as conclusões da OPAQ “coincidem com os resultados já divulgados por laboratórios especializados na Alemanha, Suécia e França”, e que Moscovo contestou de imediato. “Isto confirma uma vez mais e de forma inequívoca que Alexei Navalny foi vítima de um ataque com um agente nervoso químico do grupo Novitchok”, disse Seibert. Navalny, por sua vez, indicou na noite passada, no seu blogue, que o seu advogado francês, William Bourdon, abordou a Relatora Especial da ONU para Execuções Extrajudiciais, Sumárias e Arbitrárias, Agnes Callamard, e a sua colega da comissão para a Liberdade de Expressão, Irene Khan, para que investiguem o seu caso, já que na Rússia nenhum processo criminal foi aberto pelo que aconteceu, nem houve uma investigação.

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