2020-09-13 16:52:00 Jornal de Madeira

Brexit: Charles Michel diz que está em causa a "credibilidade do Reino Unido"

 O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse hoje que “é tempo de o Governo britânico assumir as suas responsabilidades” em relação ao ‘Brexit’, acrescentando que está em causa a credibilidade do Reino Unido. O Governo britânico apresentou ao Parlamento, na quarta-feira, um projeto de lei que contradiz parcialmente o acordo assinado com Bruxelas para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), apesar de o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, continuar a dizer que pretende um ‘Brexit’ com acordo “logo que possível”. Numa coluna publicada no sábado no jornal britânico Daily Telegraph, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, argumentou que o seu recuo deve-se à “ameaça” de a UE instaurar um “bloqueio” à Irlanda do Norte, por uma “interpretação extrema” do texto, impedindo a entrada de produtos alimentares no Reino Unido. “A credibilidade internacional britânica está em jogo”, disse Charles Michel, na sua conta da rede social Twitter, após uma conversa telefónica com o primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin. “O acordo de saída (deve ser) totalmente aplicado, para garantir a paz e a estabilidade na Irlanda e para preservar a integridade do mercado único”, explicou o presidente do Conselho Europeu, no Twitter. Também o negociador-chefe europeu para o ‘Brexit’, Michel Barnier, escreveu nas suas páginas das redes sociais que o protocolo irlandês que Johnson quer modificar “não é uma ameaça à integridade do Reino Unido”, contrariando os argumentos do Governo britânico. “Chegámos a um acordo sobre este delicado compromisso com Boris Johnson e com o seu Governo para proteger a paz e a estabilidade na ilha da Irlanda. Não poderíamos ser mais claros sobre as consequências que o ‘Brexit’ terá”, comentou o negociador francês. Barnier avisou que “é essencial ajustarmo-nos aos factos” e disse que a UE “não se recusa” a incluir o Reino Unido como mais um na lista de terceiros países para importação de alimentos, um cenário extremo para o qual o Johnson alertou, nos últimos dias. “Para que um país seja incluído (na UE), precisamos de conhecer em profundidade quais são as regras desse país, incluindo as que concernem as importações. O mesmo processo objetivo se aplica a todos os países”, concluiu Barnier. A Comissão Europeia ameaça recorrer a mecanismos de arbitragem para resolver os litígios com Londres sobre o ‘Brexit’, embora espere até ao final do mês para que o Governo britânico retire a polémica proposta legislativa que vai ser discutida no Parlamento na segunda-feira.

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