PM eslovaco critica Justiça por absolver empresário acusado de matar jornalista
O primeiro-ministro eslovaco, Igor Matovic, disse hoje que a Justiça “devia estar de férias” na semana passada, quando absolveu o empresário acusado de mandar matar, em 2018, o jornalista de investigação Jan Kuciak e a sua noiva. “Ninguém na Eslováquia ficou feliz quando a absolvição foi anunciada”, disse Matovic em Viena, referindo-se à sentença de Marian Kocner, acusado de ser o mentor do crime. “Reagi dizendo que talvez a Justiça estivesse de férias e que espero que, no próximo processo, esteja de regresso a casa”, afirmou o primeiro-ministro, em conferência de imprensa conjunta com os seus homólogos austríaco, Sebastian Kurz, e checo, Andrej Babis. O Tribunal Penal Especial, que julgou o caso, concluiu, na semana passada, que não havia provas para apoiar a acusação contra Kocner, um empresário polémico que Kuciak acusou de ter ligações ao crime organizado. O Ministério Público eslovaco recorreu da absolvição para o Supremo Tribunal, que terá de a ratificar ou devolver à mesma magistratura. Os dois autores materiais do assassinato foram condenados a 25 e 23 anos de prisão. O assassinato de Kuciak desencadeou a maior onda de protestos de cidadãos desde a queda da ditadura comunista, em 1989, com dezenas de milhares de eslovacos a exigir uma investigação transparente e imparcial, depois de terem surgido suspeitas de conluio entre a polícia e os criminosos. Os protestos levaram à renúncia do então primeiro-ministro, o social-democrata Robert Fico.