Mali: Conselho de Segurança da ONU pede libertação imediata de políticos detidos
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) instou hoje os militares que participaram no golpe militar no Mali, na terça-feira, a libertarem “com segurança e imediatamente” os políticos detidos, e a regressarem aos “quartéis sem demoras”. De acordo com um comunicado publicado na página na internet deste órgão das Nações Unidas, o Conselho de Segurança urgiu aos militares envolvidos no golpe militar a libertarem “com segurança e imediatamente todos os líderes detidos”. Também é pedido a todos os “amotinados” que regressem “aos seus quartéis sem demoras”. O Conselho de Segurança também “sublinhou a necessidade urgente de restaurar a lei e de regressar à ordem constitucional”, explicita a nota divulgada. Esta posição conjunta foi transmitida depois de uma reunião convocada pela Estónia – membro não permanente deste órgão até 2021 – e dos Estados Unidos da América – elemento permanente. Desta reunião resultou a condenação do “motim” que culminou com a detenção do Presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keïta, e do primeiro-ministro, Boubou Cissé. Este órgão das Nações Unidas também reiterou o apoio às “iniciativas e esforços de mediação no Mali” da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). O Conselho de Segurança da ONU apelou ainda à “moderação” de todas “as partes interessadas” e à priorização do “diálogo para resolver a crise” político-social do país. O Comité Nacional para a Salvação do Povo, órgão criado pelos responsáveis pelo derrube do poder no Mali, "insiste" que a ação dos militares que fez cair o Presidente, Ibrahim Boubacar Keïta, e o Governo, resultou em "zero mortes", "ao contrário de certas informações que falam de quatro mortos e dez feridos", disse o porta-voz da junta, Ismaël Wagué. O chefe de Estado do Mali anunciou a demissão hoje de madrugada, horas depois de ter sido afastado do poder através de um golpe liderado por militares, resultado de vários meses de protestos e de agitação social. A ação dos militares foi condenada por vários organismos internacionais, incluindo a ONU, a CEDEAO e a União Europeia (UE). Portugal tem no Mali 74 militares integrados em missões da ONU e da UE. Ibrahim Boubacar Keïta, de 75 anos e que também já foi primeiro-ministro (entre 1994 e 2000), foi eleito chefe de Estado em 2013, e renovou o mandato de cinco anos em 2018.