Covid-19: Ativado plano de biossegurança para eleições legislativas na Venezuela
O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE) ativou o Plano Integral de Biossegurança que visa evitar novos contágios do novo coronavírus, no âmbito das eleições legislativas previstas para o próximo 06 de dezembro, foi hoje anunciado. O plano faz parte de um acordo entre o CNE e o Ministério da Saúde da Venezuela e foi ativado na sequência de um ‘workshop’ sobre Controlo Sanitário e Biossegurança de Doenças Transmissíveis, que decorreu na segunda-feira na sede do organismo eleitoral venezuelano. Na formação, segundo o CNE, participaram ainda representantes da Proteção Civil venezuelana, de departamentos diretamente envolvidos na votação, que analisaram as características de diferentes doenças respiratórias, entre as quais a covid-19, o modo como são transmitidas e o impacto que têm na saúde e na vida das pessoas. O Ministério da Saúde da Venezuela apresentou o Plano Nacional de Prevenção e Contenção da covid-19, em particular os aspetos de vigilância epidemiológica. O plano tem por base os protocolos de biossegurança estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde, que incluem o uso adequado de máscaras, luvas, a desinfeção das mãos, e o uso de gel ou álcool como produtos preventivos necessários. Na Venezuela estão confirmados 15.988 casos de pessoas infetadas e 146 mortes associadas ao novo coronavírus. Estão também dados como recuperados 9.959 pacientes. Em 06 de dezembro, os venezuelanos vão eleger os 277 deputados que formarão a nova Assembleia Nacional (AN, parlamento). As próximas eleições venezuelanas poderão representar, segundo a imprensa local e diversos analistas, uma mudança, em que o líder opositor Juan Guaidó poderá deixar de ser presidente do parlamento. Em 16 de junho último, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela suspendeu a direção de dois partidos da oposição venezuelana, Primeiro Justiça e Ação Democrática, ordenando que sejam reestruturados. O STJ nomeou um conselho de administração para ambos os partidos e suspendeu a expulsão dos seus militantes. Em 07 de julho, o partido opositor Vontade Popular foi alvo da mesma medida, uma decisão que os opositores do Presidente do país, Nicolás Maduro, dizem ser uma manobra de preparação “para uma nova farsa eleitoral”, em que o regime decidirá quem preside aos partidos nas próximas eleições. A Venezuela tem, desde janeiro, dois parlamentos parcialmente reconhecidos, um de maioria opositora, liderado por Juan Guaidó, e um pró-regime, liderado por Luís Parra, que foi expulso do partido opositor Primeiro Justiça, mas que continua a dizer ser da oposição. A crise política, económica e social na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando Juan Guaidó jurou publicamente assumir as funções de presidente interino do país, até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um Governo de transição e eleições livres. As eleições legislativas anteriores tiveram lugar a 06 de dezembro de 2015.