ONU diz ser "vital" ajuda da União Europeia para refugiados venezuelanos
O ACNUR considera "vital" os sete milhões de euros recebidos da União Europeia para mitigar o impacto da covid-19 nos refugiados e migrantes da Venezuela e nas suas comunidades de acolhimento na América Latina e Caraíbas. A verba foi transferida pelo departamento de Ajuda Humanitária dos 27 (ECHO) para o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Esta é uma nova "contribuição vital" que chega "num momento crucial para centenas de milhares de refugiados e migrantes venezuelanos", frisou hoje, na capital panamenha, o gabinete regional da agência das Nações Unidas para os refugiados. O êxodo dos venezuelanos representa a maior crise de deslocamento na história da região e a segunda maior crise de deslocação do mundo, disse o ACNUR, que acrescentou existirem mais de cinco milhões de refugiados e migrantes da Venezuela, dos quais 4,3 milhões procuraram proteção na América Latina e nas Caraíbas. A América Latina está a tornar-se o novo epicentro da pandemia de covid-19 e os refugiados e migrantes da Venezuela estão a ser severamente afetados, disse a agência da ONU. "Muitas pessoas estão a ser afetadas pelos efeitos devastadores da covid-19 na economia e nos sistemas de saúde pública", disse a diretora do Gabinete do ACNUR para as Américas, Renata Dubini. A perda de meios de subsistência e de rendimentos devido às restrições de mobilidade e às medidas de confinamento deixou muitas pessoas incapazes de pagar a alimentação, o aluguer e outras necessidades básicas, e estas dificuldades conduziram ao despejo de muitos refugiados e migrantes, colocando-os em maior risco de violência baseada no género, exploração, abuso e discriminação. Através desta cooperação, o ACNUR e o departamento de Ajuda Humanitária da UE poderão assegurar que famílias e indivíduos vulneráveis, incluindo crianças, mulheres grávidas e idosos, recebam proteção e assistência humanitária vital em setores como a saúde, água, saneamento e higiene, educação, abrigo, meios de subsistência, assistência monetária e ajuda não alimentar, entre outros. Serão ainda fornecidas informações e orientação sobre o processo de asilo, regularização e documentação necessária para facilitar o registo", disse o ACNUR. A pandemia de covid-19 já provocou mais de 650 mil mortos e infetou mais de 16,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China. Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.