2020-04-13 08:51:00 Jornal de Madeira

Covid-19: Divina Pastora voltou às ruas para pedir fim da pandemia na Venezuela

Uma imagem da Divina Pastora saiu hoje às ruas da cidade de Barquisimeto, no estado venezuelano de Lara (oeste de Caracas), para pedir o fim da pandemia do coronavírus que já provocou mais de 112 mil mortos no mundo. “Foi diferente, triste porque não podíamos aproximar-nos, mas emotivo e de esperança, porque depois de a Divina Pastora ter intercedido, no passado, para acabar com a cólera, intercederá agora para acabar com o coronavírus”, disse uma portuguesa à agência Lusa. Maria Matilde da Silva, doméstica de quase 60 anos, viu, desde a janela do seu apartamento, a Divina Pastora passar no “Pastora Móvel” (uma viatura acondicionada), custodiada por várias motocicletas da polícia, ao som do toque de buzinas, de sinos e de aplausos de algumas pessoas. “Não estamos em janeiro [mês da procissão anual da Divina Pastora], nem há pessoas na rua porque estamos em quarentena, mas é um momento especial de fé, num dia também especial, o domingo de ressurreição”, disse. Por outro lado, para o comerciante Francisco Lopes, de 62 anos, “as pessoas já estão cansadas de estar encerradas, de uma quarentena que ninguém sabe quando terminará” e que “a saída da Divina Pastora é um sinal de esperança”. Radicado há mais de 30 anos em Barquisimeto, este comerciante viu a imagem passar pelo seu pequeno restaurante, desde o piso de cima do estabelecimento, onde reside com a mulher. “As portas [do restaurante] estão fechadas porque estamos em quarentena, mas quando ela passou, sentimos que estamos quase livres de perigo e que em breve vamos voltar a trabalhar”, frisou. A Divina Pastora de Barquisimeto é uma festa católica que se realiza anualmente, em 14 de janeiro, no Santuário de Santa Rosa. Segundo os últimos dados oficiais conhecidos, em 2016 participaram quatro milhões de pessoas. Entre os devotos encontram-se muitos portugueses, que comparam a cerimónia com as festividades de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal. A veneração remonta a 1736, quando o padre local pediu a um escultor uma estátua da Imaculada Conceição, mas recebeu uma imagem da Divina Pastora, que tentou devolver. A imagem “fez-se tão pesada” que foi impossível levantar a sua caixa. Após várias tentativas frustradas a população interpretou o que acontecia como um sinal de que a Divina Pastora queria ficar em Barquisimeto. Durante o terremoto de 1812, o templo onde permanecia ficou destruído, mas a imagem permaneceu intacta reforçando a crença de que protegeria os barquisimetanos. Em 1855, uma epidemia de cólera afetou a Venezuela. A 14 de janeiro de 1856, o padre José Macário Yépez fez uma procissão para implorar misericórdia à Divina Pastora, durante a qual ofereceu a sua vida a troco de salvar a cidade de Barquisimeto. A epidemia cessou e o padre morreu a 16 de junho de 1856, convertendo-se na última vítima conhecida da cólera no país. A Venezuela tem oficialmente 181 casos e nove mortes associadas à infeção pelo novo coronavírus. O país está desde 13 de março em estado de alerta, o que permite ao executivo tomar “decisões drásticas” para combater a pandemia. O estado de alerta foi decretado por 30 dias, e prolongado por igual período. Os voos nacionais e internacionais estão restringidos no país. Desde 16 de março que os venezuelanos estão em quarentena, estando impedidos de circular livremente entre os 24 estados do país. O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 112 mil mortos e infetou mais de 1,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Dos casos de infeção, quase 375 mil são considerados curados. Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

Pesquisa

Partilhe

Email Netmadeira