2019-04-27 18:20:00 Jornal de Madeira

Moçambique: Famílias improvisam abrigos na vila mais destruída a norte

 O ciclone Kenneth derrubou a casa de Maurício Valério, 53 anos, em Macomia, Norte de Moçambique, poucos minutos depois de ele de lá fugir com o resto da família, 13 pessoas ao todo, oito das quais crianças. "Escondemo-nos. Ficámos agarrados uns aos outros, longe das árvores altas" e foi assim que sobreviveram, ao relento, na noite escura de quarta para quinta-feira, à passagem do primeiro ciclone de que há registo no Norte de Moçambique, província de Cabo Delgado. "As crianças estavam ao nosso colo", recorda-se, agora que limpa os escombros da casa de adobe, capim e estacas. Maurício teve que improvisar uma espécie de tenda com estacas e plásticos pretos para albergar a família alargada de 13 pessoas que inclui filhos e netos. É ali que todos e juntam à noite e é ali que todos partilham as refeições. Um frigorifico, algumas camas em bambu, roupa, tachos e panelas, tudo empapado em água e lama, está ali no meio da rua, numa clareira junto a um caminho em terra, capim e palmeiras, um bairro igual aos outros de Macomia. Hoje também é igual aos outros ao nível da destruição. Em todos os bairros há árvores e postes de eletricidade tombados, chapas de zinco que já foram telhados espalhadas por todo o lado, dobradas, prova de que foram arrancadas, enroladas em cabos elétricos - a vila continua sem eletricidade - e casas precárias caídas por todo o lado. Só parte das barraquinhas de madeira do mercado central sobreviveu, o resto está debaixo de árvores.

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