Venezuela: EUA pedem reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre crise humanitária
Os Estados Unidos da América pediram hoje ao Conselho de Segurança da ONU uma reunião, já na próxima semana, para debater a crise humanitária da Venezuela, referiram os diplomatas norte-americanos. Na reunião, que deverá ocorrer na quarta-feira, estará em cima da mesa o agravamento da situação política e económica do país e as suas consequências para as famílias. Um relatório interno da Organização das Nações Unidas (ONU), a que a agência noticiosa AFP teve acesso, dá conta de que sete milhões de venezuelanos necessitam de ajuda humanitária (alimentos e medicamentos), o que corresponde a quase um quarto dos habitantes do país. No estudo refere-se ainda que cerca de 3,5 milhões de pessoas estão subnutridas, o triplo de 2010-2012, e pelo menos 22% das crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição crónica. O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, atribui às sanções económicas dos Estados Unidos ao país o estado a que chegou a crise social, mas o opositor Juan Guaidó acusa o Governo de negligência e corrupção, segundo a agência AFP. A entrada de ajuda humanitária na Venezuela tem sido um dos temas centrais do braço-de-ferro entre o opositor e autoproclamado Presidente interino, Juan Guaidó, e o Presidente venezuelano contestado, Nicolás Maduro. A 23 de fevereiro, a oposição venezuelana tentou fazer entrar no território ajuda humanitária internacional, enviada principalmente dos Estados Unidos a pedido de Juan Guaidó. Maduro encarou a entrada desta ajuda no país como o início de uma potencial intervenção militar e ordenou o bloqueio de camiões carregados com bens de primeira necessidade. Na semana passada, a Cruz Vermelha anunciou a distribuição de ajuda humanitária na Venezuela, contrariando a posição de Nicolás Maduro, que nega a existência de uma "crise humanitária". Os Estados Unidos elogiaram a iniciativa da organização internacional, afirmando que eles próprios iriam enviar ajuda através deste organismo. A crise venezuelana acentuou-se a 10 de janeiro, quando o Presidente Nicolás Maduro tomou posse para um novo mandato de seis anos (2019-2025), tendo por base resultados oficiais das eleições presidenciais antecipadas de 20 de maio de 2018. Vários países não reconhecem o novo mandato de Nicolás Maduro e insistem na exigência da convocação de novas eleições presidenciais, livres e transparentes, no país. A 23 de janeiro, Guaidó autoproclamou-se Presidente interino da Venezuela e anunciou uma "frente de luta" no país que, segundo o próprio, passa pelo "fim da usurpação, um governo de transição e eleições livres".