Médico Manuel Brito lança “Crónicas da Nau Catrineta”
A obra, editada por O Liberal, será lançada nesta sexta-feira, pelas 18:30 horas, no Hotel Porto Mare Será lançado hoje o livro intitulado por “Cónicas da Nau Catrineta”, da autoria do médico Manuel Brito. A obra, editada por O Liberal, apresenta ilustrações de Ricardo Veloza. Este livro reúne as crónicas do autor dispersas por diversas publicações ao longo de vários anos. “Ganhou um alcance que vai para além dessas memórias quando encontramos neste livro a presença de amigos que há muito me habituei a escutar”, afirma o autor. “No prefácio, nos textos de apresentação dos cinco capítulos, nas notas jornalísticas, na revisão das palavras ou no traço magnífico das ilustrações eles aí estão: António Trindade, Fátima Marques, Filomeno Paulo, Isabel Portugal, José Júlio C. Fernandes, Luís Amado, Marta Caires, Ricardo Veloza e Violante Saramago Matos”, aponta. “Com a sua ajuda e o olhar sereno de uma família atenta, ultrapassei receios, quebrei preconceitos e aventurei-me por mares que nunca dantes navegara. A Nau Catrineta que hoje lança ferro na baía do Funchal, não traz consigo o silêncio dos ‘homens bons” nem a certeza dos “homens iluminados””, realçou Manuel Brito. Com o Prefácio de Luís Amado, “Crónicas da Nau Catrineta” não é um vulgar livro de crónicas. “Lendo o seu conjunto de uma forma corrida, percebe-se que as crónicas são um pretexto para uma espécie de “livro de vida”, um registo quase autobiográfico, meticulosamente pensado e organizado, em que os temas e os textos nos aparecem expostos com o rigor com que se arrumam os instrumentos cirúrgicos no momento operatório”. “O método, a disciplina do cirurgião, perpassam aliás em muitos dos textos deste livro, escrito por alguém que viveu e vive a sua profissão com uma singularidade e uma sensibilidade invulgares. Um médico que se não resigna à sua condição de médico e que espalha a sua infinita curiosidade pelas coisas da vida, da ciência à história, da sociedade à política, revelando uma imensa atracção pela natureza humana”. O autor do Prefácio salienta “O Manuel Brito compreendeu que a medicina, para além da exigente formação científica e técnica e da crescente intrusão tecnológica, se realiza também numa outra, igualmente exigente, dimensão. A da “metafísica dos afectos”, a designação que me ocorre, para a atitude do médico perante a individualidade do doente, o respeito pela sua própria identidade, o toque humano, a palavra, elementos insubstituíveis de uma verdadeira e genuína relação médica, com que recorrentemente se identifica”. “Ele acredita, como refere num texto belíssimo de 2006, no efeito terapêutico do “olhar positivo” dos médicos, na certeza de que esse simples olhar… “alivia a dor e melhora a atitude dos doentes”. Talvez por isso mesmo, encare a doença com desassombro e, sem grande fervor racionalista, referindo-se aqui e ali à “arte da medicina” e, raramente, às “ciências” médicas. De certo modo, confirma aquilo de que sempre suspeitei: que não tem especial veneração pela medicina… Este é enfim, um livro feito para os amigos e com os amigos, o que é em si mesmo um sinal.”