IL diz que Governo “não explica o passado, não cuida do presente e não prepara o futuro”
O presidente da IL, João Cotrim Figueiredo, criticou hoje o Governo porque “não explica o passado, não cuida do presente e não prepara o futuro”, considerando que a atual direção executiva da TAP não serve os interesses da companhia. O deputado da IL João Cotrim Figueiredo fez hoje a sua última declaração política em plenário na condição de presidente dos liberais – no fim de semana o partido escolhe o seu novo líder em convenção eletiva – tem focado a sua intervenção nos “três erros políticos” do que acusa o Governo do PS de ser culpado. “Não explica o passado e a acumulação de casos cujas origens ficam sempre envoltas em nublosas é ilustrativo disso. Não cuida do presente de que o colapso dos serviços públicos é o melhor exemplo. Não prepara o futuro porque não tem qualquer estratégia para Portugal para que se adapte às mudanças que vão sucedendo”, sintetizou. Segundo o liberal, foi “em boa parte por causa destes três erros que, em boa hora, há duas semanas” a IL apresentou uma moção de censura porque não acredita que “o Governo do PS se possa regenerar”. Sobre estas duas semanas – que “são apenas mais dois períodos de tempo em que podem demonstrar a degradação que grassa no Governo e também a degradação da cultura política que o PS instalou em Portugal" – Cotrim Figueiredo elencou a lista de casos que surgiram, entre os quais as buscas na Câmara de Lisboa que envolvem os ex-presidente da câmara de Lisboa Fernando Medina. “E é neste contexto que, já que esta é a minha última declaração política enquanto presidente da IL, eu expresso daqui desta tribuna um desejo: sempre que o passado estiver por explicar, sempre que o presente estiver por cuidar e sobretudo sempre que o futuro estiver por preparar, a primeira e mais forte voz a dar o alerta continue a ser voz da Iniciativa Liberal”, afirmou. No pedido de esclarecimentos, pelo PSD, o deputado Hugo Patrício Oliveira começou por saudar Cotrim Figueiredo pelo seu empenho e trabalho, concordando que o Governo “está como os serviços públicos”, ou seja, “um verdadeiro caos”. A mesma lógica de saudação pela forma como desempenhou o papel de presidente da IL Pedro Pinto, do Chega, que também acompanhou os liberais nas críticas ao Governo de António Costa, questionando o motivo pelo qual o partido não acompanhou a moção de censura que o Chega apresentou em julho. Nas respostas, o ainda presidente da IL considerou que nessa altura o “Governo tinha ainda 3 meses de idade” e não havia nenhum destes casos que entretanto aconteceram. “Não gastámos o cartucho cedo demais. Tenho a certeza que se o Chega tivesse guardado esse cartucho para esta altura provavelmente teríamos tido mais moções de censura. Não sendo esta uma segunda volta da moção de censura, mas eu gostava de poder acreditar que se o debate da moção de censura fosse hoje, talvez a posição do PSD não fosse a de abstenção porque é evidente que a situação em Portugal não aguenta este tipo de governação nem mais um dia”, defendeu. Sobre a TAP, e afirmando que a IL “desde o inicio se opôs à injeção de um euro” na companhia aérea porque já sabia “o que ia acontecer”. “Esteve ontem no parlamento a CEO da TAP. Foi questionada 20 vezes sobre a natureza da rescisão do contrato de Alexandra Reis e por 20 vezes se recusou a responder. Eu não sei de que é que o Governo que o PS apoia está à espera para retirar conclusões e tirar de lá também esta que é uma direção executiva da TAP que não serve os interesses da companhia”, desafiou. Pelo PS, Carlos Pereira desejou “as melhores felicidades pessoais e profissionais” ao ainda líder liberal, criticando “o discurso requentado” sobre a moção de censura e considerando que “as ideias liberais não sobrevivem a nenhum dos problemas” existentes. “Vai arrepender-se das felicidades profissionais que me desejou. A menos que haja uma dose de masoquismo no seu desejo e acho que não há. Não confunda requentada com reiterada”, respondeu, usando da ironia, Cotrim Figueiredo.