Governo: IL critica falta de reformas no programa do “agora é que vai ser”
A Iniciativa Liberal criticou hoje a falta de reformas no Programa do Governo, que deveria designar-se “agora é que vai ser”, respondendo o primeiro-ministro que o problema dos liberais é o seu produto apesar da “comunicação excelente”. O presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, fez hoje a primeira interpelação pelo partido ao primeiro-ministro, António Costa, durante o debate do Programa do Governo que decorre até sexta-feira no parlamento. “Arranjei um excelente subtítulo para o seu programa do Governo: ‘agora é que vai ser’”, ironizou o liberal logo no arranque do debate. Cotrim Figueiredo criticou a ausência de reformas na saúde, na educação ou na justiça no Programa de Governo apresentado pelo executivo de António Costa, considerando que é um documento estratégico que “põe Estado em todo o lado e não o tira de lado nenhum”. Na resposta, António Costa admitiu que há um ponto em que Cotrim Figueiredo “está certo”. “Eu reconheço a sua crença quase ilimitada no poder da comunicação política, acreditando que a Coca-Cola é boa porque a publicidade da Coca-Cola é boa. Não. A Coca-Cola é boa porque é boa, a comunicação até podia ser má. O que acontece com a IL é a mesma coisa. A comunicação é excelente, o problema é mesmo a Coca-Cola, é mesmo o produto da IL. É mesmo esse o problema que temos com a IL”, ironizou. Quanto à pergunta sobre reformas, o primeiro-ministro garantiu que, se o líder liberal ler o programa com um “bocadinho de atenção”, vai encontrar reformas em áreas como a educação e a saúde, por exemplo. "O problema não está na palavra reformas, é mais uma vez que como a comunicação e a Coca-Cola. O problema está mesmo no que nós queremos dizer por reformas. Para si a grande reforma da educação era a privatização da educação, era o cheque-ensino para que cada um tivesse a liberdade de ir para o externato Manuel Joaquim ou para a Escola Pública Luís de Camões", afirmou. Para António Costa "a reforma mais estrutural que o país teve nos últimos anos e que foi alcançada" na sua governação foi o facto de antes haver "uma taxa de abandono escolar precoce superior a 13%" e atualmente ser de 5,6%. Na análise do presidente liberal, este Programa do Governo "mostra que o PS e o seu Governo continuam a achar-se donos do país e por isso é que não faz menção a mexer no sistema eleitoral", sendo ainda omisso quanto ao facto de durante este mandato irem ser nomeados 20 reguladores e não se comprometendo "com a reintrodução dos debates quinzenais". Cotrim Figueiredo fez um conjunto de perguntas a António Costa, para se saber se vai considerar as propostas apresentadas pelos liberais sobre debates quinzenais, sistema eleitoral, redução dos escalões do IRS ou redução das listas de espera na saúde. Na resposta, António Costa deixou claro que o parlamento mantém as mesmas competências e, portanto, Governo não vota nas propostas apresentadas na Assembleia da República, garantindo que não dá indicações aos deputados de como é que votam nas iniciativas que são apresentadas porque "cada deputado vota como acha que deve votar". O primeiro-ministro aproveitou ainda para responder às questões que tinham sido levantadas pelo deputado liberal sobre habitação. "Ao contrário do que diz, o mercado não resolve tudo. O acesso à habitação a custos acessíveis é da maior importância estrutural. Os países com os governos mais liberais da Europa têm uma taxa de oferta de habitação pública que é muitíssimo superior à de Portugal", referiu Costa. O líder do executivo fez ainda questão de dizer a Cotrim Figueiredo que é nos Países Baixos, "seguramente um dos países mais liberais da Europa, "que há maior oferta pública de habitação em toda a Europa".