Residência universitária no centro do Porto ajudará a colmatar problema "crónico"
A futura residência universitária, localizada no centro histórico do Porto e com 20 quartos, vai ser um “projeto-piloto de gestão partilhada” e permitirá providenciar “mais uma resposta” para colmatar o “problema crónico” do alojamento estudantil, foi hoje anunciado. Numa visita à futura residência universitária, localizada na Rua da Bainharia, no centro histórico, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira afirmou hoje que a mesma será um projeto-piloto, fruto de uma “aliança estratégica” entre a autarquia, Universidade do Porto (U. Porto) e Federação Académica do Porto (FAP). O edifício, reabilitado pela Sociedade de Reabilitação Urbana (Porto Vivo, SRU) no âmbito do programa do Morro da Sé, estava previsto albergar o centro social. “Por razões que não nos dizem respeito e ainda assim temos de respeitar, o centro social nunca quis mudar para aqui”, afirmou o independente em declarações aos jornalistas. Segundo Rui Moreira, o edifício está “praticamente pronto a ser usado” e a presença de população jovem naquela zona da cidade “insere-se na estratégia delineada” pelas três instituições. “Esta residência será o modelo piloto com a FAP. Acho ótimo que haja esta inovação e empreendedorismo por parte da FAP, com o apoio da câmara e da reitoria”, sublinhou, acrescentando que, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a universidade e a autarquia estão a discutir outros dois projetos de residências estudantis. “A universidade já tem alguns projetos, mas nós associaremos a esses projetos da universidade duas valências nossas: uma que tem estado a evoluir [Morro da Sé] e a outra, o Monte Pedral, onde o edifício do quartel frontal será duplicado”. Uma das residências em estudo situa-se no Morro da Sé, no centro histórico, onde está prevista uma área de construção de 6.750 metros quadrados e um investimento estimado em cerca de sete milhões de euros. A outra residência será no Monte Pedral, na Rua da Constituição, onde a área de construção ronda os 5.000 metros quadrados e o investimento entre os seis e 6,5 milhões de euros. Também presente na visita, a presidente da FAP, Ana Gabriela Cabilhas, afirmou que a residência permitirá providenciar “mais uma resposta” para um problema que é “crónico”, nomeadamente, a falta de alojamento estudantil. Na nova residência, que deverá estar a funcionar já no próximo ano letivo, estão previstos 20 quartos, sendo que o número de camas será “posteriormente definido”. Aos jornalistas, Ana Gabriela Cabilhas afirmou que as candidaturas vão “beneficiar os vários estudantes da academia, independentemente do subsistema de ensino”,e que o processo de seleção, em articulação com as instituições do ensino superior, terá vários critérios, tais como, “o da carência socioeconómica”. “O modelo de gestão ainda está a ser trabalhado, mas a premissa base será sempre alojamento a preços acessíveis e controlados, os quais os estudantes possam pagar”, acrescentou. Por sua vez, o reitor da U. Porto, António de Sousa Pereira, afirmou que, neste momento, a universidade tem cerca de 1.100 camas para estudantes, ainda que, devido à pandemia, alguns quartos duplos tenham passado a quartos simples. “Temos um parque que neste momento andará à volta das 900 camas, mais algumas que subcontratamos ao Ministério da Defesa”, afirmou, acrescentando que essas camas são “suficientes” para os alunos bolseiros e que rondam os 76 euros por mês. “Temos uma imensidão de estudantes para os quais existe uma resposta que eu acho que é boa para quem pertence à classe média-alta. Devemos ter perto de 6.000 camas que foram construídas nos últimos anos na cidade em residências universitárias privadas, mas permanece uma falta de resposta para os estudantes da classe média-baixa”, frisou. António de Sousa Pereira salientou ainda que foi para dar resposta às necessidades desses estudantes que foi desenhado este plano. “Estaremos a falar de cerca de 400 a 450 camas adicionais. Das residências a serem construídas em consórcio com a câmara andará na ordem das 300 camas e este projeto-piloto achamos muito importante, porque é experimentar um novo modelo de residências que pode ser extremamente importante para o futuro e que vai ser avaliado por nós”, observou o reitor, dizendo que se o projeto tiver sucesso pode ser estendido a residências de maior dimensão.