Legislativas: PAN admite integrar futuro Governo, mas avisa que causas são prioridades
A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, deixou hoje a ‘porta aberta’ para o partido integrar um futuro governo, após as eleições do dia 30, mas avisou que em “primeiro lugar” está o avanço das suas causas. “Todas as opções estão em cima da mesa, mas, evidentemente, aquilo que terá que prevalecer serão as nossas causas e fazer avançar o país”, declarou a líder do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), em Beja. Inês Sousa Real, que chegou à capital do Baixo Alentejo de comboio vinda de Lisboa, foi questionada pelos jornalistas sobre se o PAN está disponível para integrar o próximo governo e aceitar assumir um ministério. Inicialmente, a líder do PAN respondeu que o partido não está “à espera de ministério nenhum dado pelo PSD, pelo PS ou por quem quer que seja”, vincando que “o compromisso do PAN é para com as suas causas”. “Temos um programa alternativo e queremos romper com esta bipartidarização e não podemos confundir” quando o PAN afirma que é “um partido capaz de dialogar” com a disponibilidade para “integrar governos que colidem” com os seus valores, disse. Sublinhando que a integração de um futuro governo “dependerá” também do resultado obtido nas eleições, Inês Sousa Real adiantou que o PAN fará então “a sua avaliação daquilo que possa ser a melhor forma de fazer avançar as suas causas”. “Aquilo que estará sempre em primeiro lugar é o avanço das nossas causas e que o país não retroceda”, assinalou. Por outro lado, a dirigente do PAN considerou “precipitado” que o líder do PSD, Rui Rio, esteja já, durante a campanha eleitoral, a entregar ministérios, pois ainda é desconhecida “qual vai ser a vontade dos portugueses”. Sousa Real criticou também o presidente social-democrata por ter falhado o debate desta manhã, organizado por três rádios, considerando que os políticos devem “respeitar em democracia os demais partidos que concorrerem e também os diferentes órgãos de comunicação social”. O presidente do PSD não excluiu hoje que, num eventual Governo de centro-direita, a pasta da Defesa possa ser atribuída ao CDS-PP, como defendeu Francisco Rodrigues dos Santos. No final de uma ação de rua em Bragança, Rui Rio foi questionado sobre o desejo do líder do CDS-PP, hoje reafirmado no debate, de que o partido pudesse voltar a ter a pasta da Defesa, Rio não excluiu essa hipótese. “É uma questão de se ver, não seria a primeira vez que o CDS tinha o Ministério da Defesa, como sabemos”, afirmou. Rio reiterou que, vencendo as eleições sem maioria, começaria a negociar primeiro com o CDS, parceiro “tradicional”, e depois com a IL, “um partido novo e que pode vir a ter ou não uma representação parlamentar significativa”.