BE/Açores responsabiliza Governo Regional pelo “enorme descontrolo” nas pescas
O deputado e líder do BE/Açores, António Lima, responsabilizou hoje o Governo Regional pelo “enorme descontrolo” na pesca de espécies cujas quotas são fixadas pela região, ficando em causa a sua sustentabilidade. Na sequência de uma reunião mantida com a Federação de Pescas dos Açores (FAA), na freguesia piscatória da Ribeira Quente, em São Miguel, António Lima declarou aos jornalistas que se está perante um “problema muito sério relativamente às quotas de pesca na região, nomeadamente aquelas que são definidas pela própria”. Segundo o dirigente do BE, “em várias espécies, essas quotas foram ultrapassadas na sua quantidade global, nomeadamente o cântaro, mas também ultrapassados os seus limites trimestrais no caso da abrótea ou outras espécies, como a veja”. António Lima afirma que se “está a falar não de pequenas capturas a mais do que era permitido, mas de enormes quantidades”, apontando como exemplo a ultrapassagem de “mais de 30 toneladas de abrótea, no segundo trimestre” e, “no caso do cântaro, o dobro do permitido”. Para o líder do Bloco, assiste-se a um “enorme descontrolo na gestão ao nível das pescas nos Açores”, o que é “muito grave, apesar de haver uma abundância neste ano acima do normal, nalgumas espécies". "Mas o papel do Governo é definir as regras e fazê-las cumprir”, frisou. De acordo com o também deputado “não há nenhum controlo sobre aquilo que se está a pescar", assistindo-se a uma "enorme irresponsabilidade do Governo ao não fazer este controlo”. Tal, disse, “tem consequências graves ao nível da sustentabilidade dos recursos e da credibilidade da gestão que é feito dos recursos da região”. Reivindicando a atuação da Inspeção Geral das Pescas, o dirigente questiona “como se vai dizer às entidades externas (União Europeia), que também têm responsabilidades nas pescas, que se consegue controlar o que se pesca quando há um cenário destes, em que o descontrolo é total”. António Lima pretende, na qualidade de deputado da Assembleia Legislativa Regional, pedir explicações ao Governo dos Açores, e teme que "no futuro a região seja penalizada por não conseguir gerir os seus recursos, para além de uma penalização que possa existir" e que, na sua perspetiva, pode passar pela passagem das quotas da responsabilidade regional para a União Europeia.