2021-08-12 18:10:00 Jornal de Madeira

É inadmissível grandes concentrações de refugiados nas fronteiras externas da UE - Cardeal

O presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (Comece), cardeal Jean-Claude Hollerich, classificou hoje como inadmissível as grandes concentrações de refugiados nas fronteiras exteriores do bloco comunitário e criticou que a prática seja diferente do discurso. “É inadmissível que existam grandes concentrações de refugiados nas fronteiras exteriores da União Europeia (UE)”, afirmou o cardeal Jean-Claude Hollerich, arcebispo do Luxemburgo, alertando que estas pessoas “vivem em situações desumanas”. Antes, Jean-Claude Hollerich, que falava na conferência de imprensa que antecede o início da peregrinação internacional aniversária de 12 e 13 de agosto ao Santuário de Fátima, manifestou estar “muito preocupado com a política” da UE em relação aos refugiados. “Fechamos os olhos, deixamos fazer, pagamos para que as pessoas não entrem na União Europeia e, ao mesmo tempo, falamos de valores europeus”, declarou, para acrescentar: “Penso que, como europeus, deveríamos ter um momento onde poderíamos dizer, abertamente e honestamente, que temos vergonha deste discurso que é tão diferente da política real em relação aos refugiados”. Segundo o cardeal, “mesmo os acordos internacionais não são cumpridos”, salientando que a UE “faz regressar todas as pessoas às fronteiras exteriores da União Europeia” sem se importar de “ver quem tem direito de asilo à luz da Convenção de Genebra”. Considerando isto “muito grave”, o cardeal questionou: “Como é que um discurso e uma prática são totalmente diferentes?” “Eu penso que, como Igreja na União Europeia, devemos ser um pouco a consciência da Europa”, sustentou, referindo-se, depois, às notícias diárias do Mediterrâneo com números de pessoas que morreram. Para o arcebispo do Luxemburgo, “as pessoas que estão nas embarcações perdem a fé na Europa”. “Falamos da nossa humanidade, se não reagirmos com humanidade, perderemos a nossa própria humanidade” e a construção europeia sem humanidade não terá futuro, advertiu. A peregrinação de agosto ao Santuário de Fátima integra a peregrinação nacional do migrante e do refugiado, no âmbito da 49.ª Semana Nacional de Migrações, que começou dia 08 e termina no próximo domingo. A semana tem como tema “Rumo a um nós cada vez maior”, o título da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que se assinala em 26 de setembro. A peregrinação, considerada como a peregrinação dos emigrantes, começa às 21:30 com a recitação do terço, seguindo-se a procissão das velas e a celebração da palavra. Na sexta-feira, às 09:00 é recitado o terço, realizando-se, uma hora mais tarde, a missa, que inclui uma palavra dirigida aos doentes. As celebrações terminam com a procissão do adeus. Esta é a segunda vez que o arcebispo do Luxemburgo preside a uma peregrinação aniversária no Santuário de Fátima, depois de o ter feito em agosto de 2013.

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