Fundação 'la Caixa' e o BPI apoiam desenvolvimento de ventilador pulmonar português
A Fundação 'la Caixa' e o BPI informaram esta manhã, em comunicado, que vão apoiar o projeto de produção de um ventilador pulmonar português desenvolvido no CEiiA-Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, com o envolvimento da comunidade médica e científica, em resposta à emergência causada pela Covid-19. O apoio da Fundação 'la Caixa' e do BPI ao projeto Atena traduziu-se "na garantia de aquisição de 25 ventiladores, no valor de 250 mil euros, que serão posteriormente entregues a hospitais portugueses na linha da frente do combate à pandemia. Estão também associadas ao projeto a Fundação Calouste Gulbenkian, a EDP e a REN. Em conjunto, as quatro instituições asseguram a produção dos primeiros 100 ventiladores, com um apoio total de um milhão de euros", lê-se na referida nota. As referidas empresas acreditam que o projeto Atena " é decisivo para os hospitais portugueses disporem já em maio das primeiras 100 unidades do modelo de ventilador mecânico invasivo concebido e desenvolvido para salvar a vida de quem entra em falência respiratória aguda". “O envolvimento destas quatro entidades foi determinante para reforçar a nossa capacidade de resposta no desenvolvimento destas primeiras 100 unidades. Temos consciência de que se trata de uma meta ambiciosa, mas temos um desafio maior pela frente, o valor da vida, e para isso é preciso que existam nos hospitais os ventiladores necessários para que evitar fazer escolhas em função da idade”, explica José Rui Felizardo, CEO do CEiiA- Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto. Os números da Organização Mundial de Saúde, segundo os quais 14% dos infetados com Covid-19 têm pneumonia e 5% dos doentes evoluem para um estado muito crítico dos pulmões, são vidas a salvar. A referida nota explica ainda que o trabalho conjunto entre engenheiros do CEiiA, intensivistas, pneumologistas, anestesistas e internistas de hospitais públicos e privados do Norte e Sul do país e a Escola de Medicina da Universidade do Minho para conceber e desenvolver o novo ventilador chegou à fase de protótipo funcional, para teste com pulmões artificiais, cumprindo todos os requisitos funcionais definidos pela comunidade médica. "Este projeto resulta de três semanas de cooperação em que o CEiiA reorientou e emprestou à comunidade médica a sua capacidade de engenharia para o desenvolvimento de meios e equipamentos considerados decisivos no combate à doença", adiciona. A decisão de avançar com um ventilador mecânico invasivo para responder a todas as situações de falência respiratória aguda, incluindo os casos mais graves como os da Covid-19, tem do ponto de vista técnico e de segurança vários requisitos que vão ser agora colocados na íntegra, conforme o comunicado enviado ao JM: "- controlar todos os parâmetros essenciais para responder à doença respiratória aguda (volume corrente, frequência respiratória, FiO2, PEEP, rácio I:E, pressão de suporte, trigger, ciclagem), incluindo os modos de volume controlado, pressão controlada e pressão assistida; - emitir alarmes críticos à monitorização do paciente (pressão pico, pressão fim expiração, pressão fim inspiração, volume minuto, frequência respiratória); - funcionar a partir da rede de gases hospitalar ou de botijas (versão portátil)". Entre as características também definidas e validadas pela comunidade médica estão ainda, de acordo com a nota de imprensa, a sua utilização fácil e intuitiva, de fácil movimentação, seguro e fiável e também simples de limpar e descontaminar. Em termos técnicos, "deve garantir o seu funcionamento contínuo sem falhas por um período mínimo de 15 dias, 24 horas por dia, e ser compatível com outros componentes médicos". "Este desafio coletivo de criar e produzir um ventilador pulmonar decorre da recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde) para que os países obtivessem equipamentos ventiladores pulmonares para responder a esta emergência de saúde sem precedentes, mas também decorre da responsabilidade especial da ciência e da tecnologia encontrarem respostas, do envolvimento de quem usa e sabe de medicina, de experiência em engenharia de desenvolvimento, mas sobretudo de cooperação e planeamento, de dedicação e compromisso. Para a comunidade crescente de profissionais envolvidos neste projeto, há um mesmo sentido: 'por ti, por nós, por todos'", finaliza.