2022-11-26 21:19:00 Jornal de Madeira

“A saúde depende de nós e do acesso ao sistema e aos profissionais”

“A saúde depende de nós e do acesso ao sistema e aos profissionais”, esta a principal conclusão retirada do I Colóquio de Saúde da Ribeira Brava, realizado hoje. “O Município da Ribeira Brava tem e sempre teve uma grande preocupação em oferecer aos seus cidadãos os melhores cuidados de saúde. Sabemos que as competências autárquicas nesta área são mínimas, quase escassas, no entanto, temos tentado apoiar a população ao nível da literacia porque quanto mais informados estiverem, mais preparados estarão para saber agir”. Foi com esta declaração que o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava abriu o primeiro colóquio de saúde realizado no concelho sob o tema ‘a saúde que queremos e como alcança-la’. Ricardo Nascimento frisou a aposta na prevenção através de rastreios gratuitos, colóquios e de apoio aos idosos nas diversas áreas. “O nosso papel enquanto município é apostar na literacia, na sensibilização, no conhecimento e na informação para que as pessoas possam saber atuar. É nosso papel também estabelecer parcerias para ter um concelho com infraestruturas que respondam às necessidades da população”, referiu, salientando o serviço de urgência que funciona sete dias por semana, três centros de saúde e clínicas privadas com várias especialidades, para além de um Centro de Alzheimer e dois lares de idosos. Agradeceu o papel do Governo Regional pelos investimentos feitos no concelho, bem como a colocação dos profissionais de saúde na Ribeira Brava e aplaudiu o facto de o governo avançar com a recuperação do centro de saúde do Campanário no que diz respeito aos problemas de infiltração. A sessão de abertura contou ainda com a presença do Diretor Regional da Saúde. Herberto Jesus referiu a necessidade de “privilegiar os fatores de risco numa sociedade que está em constante mutação”, reforçando que “o principal objetivo da vida é ser-se saudável através de uma alimentação correta, de um estilo de vida ativo e de uma sociedade atenta e inclusiva”. Reconheceu o papel fulcral das Autarquias na promoção de hábitos saudáveis por estarem “mais perto da comunidade e mais atentos às suas necessidades”, numa altura em que a esperança média de vida é de 80 anos. O programa da manhã juntou vários especialistas, entre eles três jovens médicos naturais da Ribeira Brava, e consistiu na abordagem à prevenção e identificação sintomatológica precoce das doenças, com o foco na diabetes, pelo Dr. Bruno Sousa, nas doenças cardiovasculares, com a Dr.ª Sofia Almada, nas doenças mentais, a cargo do Dr. Jorge Velosa, nos cuidados paliativos, com a Dr.ª Licínia Araújo, na medicina familiar, pelo Dr. Luís Sousa, e na formação de médicos na Região, a cargo da Professora Dr.ª Rosa Gouveia. Durante a tarde, foi debatido o papel do centro de alzheimer O Dragoeiro, pela diretora Bina Pereira, bem como o modelo de saúde da região e as perspetivas para o futuro. Ricardo Nóbrega, delegado de saúde, focou-se no trabalho desenvolvido pelos 47 centros de saúde distribuídos por sete zonas geográficas, cuja missão é garantir a prestação de cuidados à população. Quanto a perspetivas futuras, destacou a aposta na qualidade dos serviços de saúde para melhorar a resposta e a otimização dos cuidados prestados aos utentes, a redução das desigualdades no acesso à saúde, a melhoria das respostas dos serviços primários que inclui médico de família para todos, a transição digital e o investimento na inovação e na investigação clínica de forma a transformar conhecimento em valor social, assegurando diferentes e melhores formas de tratamento. Já Rafaela Fernandes, presidente do Conselho de Administração do SESARAM, destacou a valorização dos recursos humanos nas diversas áreas da saúde e o investimento feito desde a regionalização do serviço regional de saúde que não se baseou apenas na construção de edifícios. “Para alcançarmos a saúde que queremos, precisamos de profissionais e precisamos que cada um de nós adote comportamentos responsáveis”, referiu. Numa altura em que se verifica o abandono de pessoas nos hospitais, deixou dois desafios à autarquia: a criação de redes sentinelas que funcionam na comunidade e cujo papel é alertar para a mudança de comportamentos das pessoas, e a criação de residências comunitárias com estruturas de apoio à população. Numa perspetiva de combate ao desperdício na saúde, o SESARAM trabalha no processo clínico único que funcionará em rede para que qualquer pessoa, com ou sem acesso às novas tecnologias, possa ter acesso à sua informação de saúde. Este primeiro colóquio de saúde dinamizado na Ribeira Brava foi profícuo na partilha de ideias, conselhos e no lançamento de alguns desafios. Ficou patente que uma parte da saúde que queremos ter é a imagem dos nossos hábitos diários, e que o serviço de saúde tem de envolver parcerias e a participação de todos.

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