Democratas dos EUA conseguem vitórias eleitorais à custa de acesso a aborto
O Partido Democrata dos EUA obteve bons resultados nas eleições para os governos e parlamentos locais e estaduais, na terça-feira, com os eleitores a aprovarem a sua posição sobre acesso ao aborto em vários estados. A corrida para governador do Mississipi, onde o republicano Tate Reeves venceu o democrata Brandon Presley (primo em segundo grau do artista falecido Elvis Presley), foi um dos poucos estados em que o fator do acesso ao aborto não prejudicou os conservadores. Na maioria das corridas eleitorais de terça-feira, os democratas conseguiram tirar proveito da sua posição sobre esta matéria, para a qual, recentemente, o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA reconheceu aos estados o direito de estabelecerem as suas próprias regras. Nos casos mais emblemáticos, os democratas conseguiram vencer as eleições no estado de Ohio, Kentucky, Pensilvânia e Virgínia, com campanhas que apostaram nas promessas de assegurarem o direito ao aborto. Estes resultados positivos vieram dar novo alento ao Partido Democrata nas suas aspirações a reter o lugar na Casa Branca, na mesma semana em que várias sondagens indicaram que o ex-Presidente republicano Donald Trump leva uma confortável vantagem sobre Joe Biden, em particular em cinco dos chamados ‘swing states’, cuja volatilidade de voto pode decidir a vitória presidencial (Nevada, Michigan, Geórgia, Pensilvânia e Arizona). No Kentucky, a vitória do governador democrata Andy Beshear foi representativa do efeito do acesso ao aborto nas eleições, depois de ter criticado de forma veemente a forma como os republicanos procuravam estabelecer uma quase total proibição do aborto no estado. Na Virgínia, os democratas obtiveram também uma importante vitória, opondo-se à proibição de acesso ao aborto após as 15 semanas de gravidez, que foi proposta pelo governador republicano, Glenn Youngkin. Ainda mais representativa foi a vitória do Sim no referendo no Ohio, que estabelece a partir de agora o direito de acesso ao aborto. Entre os republicanos, algumas das mais dolorosas derrotas estão a ser atribuídas à influência negativa do ex-Presidente e recandidato Donald Trump, que apoiou várias das candidaturas vencidas nas urnas. O também candidato presidencial e ex-governador Chris Christie acusou mesmo Trump de estar a prejudicar o partido com a sua escolha de apoio a candidatos com poucas possibilidades de vitória, apenas para alimentar a sua rede de financiamento de campanha. Para Trump, estas eleições também foram um barómetro que alguns dos seus bastiões nas eleições presidenciais podem estar em risco, depois de algumas vitórias do direito ao aborto. No Ohio, uma proposta eleitoral que preserva o direito ao aborto foi aprovada, neste estado onde Trump venceu por oito pontos percentuais em 2020, apanhando de surpresa os republicanos, que estavam convencidos de que as suas posições sobre o aborto eram uma influente variável. Vários governadores republicanos que apoiaram novas proibições de acesso ao aborto foram reeleitos no ano passado, incluindo Mike DeWine, de Ohio, Ron DeSantis, da Flórida, e Greg Abbott, do Texas. Mas as eleições de terça-feira mostraram um cenário bem diferente, com vitórias que dão indicações positivas para as aspirações do Partido Democrata e marcam resultados históricos. Os democratas viram o ex-assessor de Biden na Casa Branca Gabe Amo tornar-se o primeiro membro negro do congresso estadual de Rohde Island e a cidade de Filadélfia terá a sua primeira presidente de Câmara mulher, depois de a democrata Cherelle Parker ter vencido esmagadoramente o seu adversário republicano David Oh.