Lula da Silva “não abre mão” das compras governamentais no acordo UE-Mercosul
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, disse hoje que o seu governo “não abre mão” de discutir novamente com a União Europeia (UE) o capítulo de compras governamentais do acordo alcançado entre a UE e o Mercosul em 2019. “A gente não abre mão das compras governamentais, que serão a possibilidade de desenvolver o médio e pequeno empreendedor nesse país. Então vamos ter que ter uma disputa”, afirmou Luiz Inácio Lula da Silva, durante uma cerimónia no Palácio do Planalto. O chefe de Estado brasileiro confirmou que viajará para Bruxelas no sábado para participar na cimeira que reunirá os líderes da UE e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) na próxima semana. "Será muito importante porque poderá ser o pilar para a conclusão do tão sonhado acordo com a União Europeia", disse Lula da Silva, cujo Governo exerce a presidência rotativa do Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Segundo o líder brasileiro, a conclusão de uma negociação iniciada há 25 anos "é do interesse" tanto do Mercosul quanto da UE, embora tenha reiterado o seu desacordo com o capítulo sobre compras governamentais incluído no acordo alcançado em 2019. Além deste ponto, o Mercosul manifestou dúvidas sobre um documento anexo ao texto de 2019 apresentado no início deste ano pela UE, que estabelece novas garantias em matéria ambiental. Este documento já foi considerado por Lula da Silva como uma "ameaça" para os produtores agrícolas do Mercosul, bloco que está a trabalhar numa resposta a este texto que, nas palavras do Presidente brasileiro, deve ser "contundente".