Marrocos nega privar jornalistas e académicos presos "do direito à leitura e à escrita”
A administração penitenciária marroquina negou hoje estar a privar jornalistas, escritores e ativistas dos direitos humanos detidos ao direito à leitura e à escrita, em resposta a uma recente denúncia da organização não-governamental (ONG) Amnistia Internacional. "Como é habitual, a Amnistia Internacional publicou uma declaração cheia de calúnias sobre um grupo de prisioneiros", declarou a Direção-Geral da Administração Penitenciária e da Reinserção (DGAPR) marroquina num comunicado. Segundo a administração penitenciária, todos os reclusos têm "acesso a livros, revistas e jornais trazidos por familiares, para além dos livros, revistas, canetas e papéis que lhes são disponibilizados pelas instituições [prisionais]". De acordo com a Amnistia Internacional, "pelo menos quatro jornalistas e dois académicos estão privados do direito de ler e escrever nas prisões marroquinas", o que viola "o seu direito à liberdade de expressão". Entre os detidos contam-se os jornalistas Soulaimane Raissouni, Omar Radi e Taoufik Bouachrine, o antigo advogado Mohamed Ziane, que foi condenado por agressões sexuais, que nega, e a escritora e ativista Rida Benotmane, membro da Associação Marroquina dos Direitos Humanos (AMDH), que foi presa por publicações críticas na rede social Facebook. Na quarta-feira, num comunicado, a Amnistia Internacional denunciou tais privações, apelando às autoridades marroquinas para que acabassem com tal “crueldade contra jornalistas e académicos”. No último Índice Mundial sobre Liberdade de Imprensa, publicado anualmente pela organização Repórteres sem Fronteiras (RSF), Marrocos desceu nove posições, para o 144.º lugar num total de 180 países e territórios avaliados, relatório que foi denunciado pelo Governo marroquino.