2023-04-10 17:32:00 Jornal de Madeira

Opositor russo Kara-Murza sem arrependimentos a uma semana de conhecer veredicto por alta traição

O opositor russo Vladimir Kara-Murza, em prisão preventiva há um ano e acusado de alta traição, entre outros delitos, assegurou hoje em tribunal que não se arrepende de nada, a uma semana da justiça russa proferir um veredicto. A advogada de Kara-Murza, Maria Eismont, relatou aos ‘media’ que, no final da sua declaração durante a sessão no tribunal, o opositor assegurou que “não se arrepende de nada” e que “ama a Rússia”. Citada pelo portal informativo Mediazona, a advogada indicou ainda que o tribunal de Moscovo vai emitir em 17 de abril a sentença contra o opositor, após a procuradoria ter pedido a semana passada uma pena de 25 anos de prisão. Segundo a acusação, Kara-Murza difundiu “conscientemente informação falsa” ao acusar o exército russo de bombardear zonas residenciais, hospitais e escolas na Ucrânia, durante uma intervenção perante a câmara de representantes do estado do Arizona, nos Estados Unidos, realizada em março de 2022. Kara-Murza é ainda acusado de alta traição, que na Rússia implica uma pena de até 20 anos de prisão, e de trabalhar para uma organização não-governamental (ONG) declarada indesejável pela justiça russa. Através de uma carta, várias dezenas de jornalistas independentes exigiram hoje a liberdade para Kara-Murza, classificando as acusações proferidas como “infundadas” e “cínicas”. Na mesma missiva, os jornalistas denunciaram o caráter político do julgamento contra o opositor russo. “Kara-Murza é um autêntico patriota que nos primeiros dias da guerra se pronunciou contra a agressão russa (…). Mas hoje em dia, pugnar pela paz e pelo fim da guerra constitui um crime na Rússia”, assinalaram. Na missiva, definem ainda o atual processo de um “claro exemplo” do regresso da Rússia “às práticas estalinistas do terror político” e apelam às autoridades a julgarem assassinos e criminosos e não cidadãos honrados e responsáveis. Recentemente, os advogados do opositor informaram que Kara-Murza foi diagnosticado na prisão com polineuropatia nas extremidades inferiores devido a envenenamentos que sofreu em 2015 e 2017. Apesar do seu precário estado de saúde, a justiça russa prolongou até agosto a prisão preventiva do opositor, 41 anos, detido em abril de 2022 e declarado agente estrangeiro. Kara-Murza é considerado pela ONG Amnistia Internacional como um preso de consciência. Segundo o coletivo de investigação Bellingcat, Kara-Murza estava a ser vigiado pela mesma unidade do Serviço de Segurança Federal (FSB, serviços secretos russos) que terá envenenado o líder da oposição Alexei Navalny, que está a cumprir oito anos de prisão. Em outubro de 2022, Kara-Murza foi distinguido com o prémio Václav Havel de Direitos Humanos, concedido pelo Conselho da Europa.

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2026-05-15 08:24:00 Jornal da Madeira

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