2023-02-12 23:16:00 Jornal de Madeira

Autoridades militares do Sudão aprovam base naval russa no Mar Vermelho

As autoridades militares, no poder no Sudão, já concluíram a análise do acordo de construção de uma base naval russa no Mar Vermelho, tendo afirmado que, do ponto de vista militar, tudo está aprovado. "Eles responderam a todas as nossas preocupações, o acordo está 'ok' do ponto de vista militar", disse um dos dois responsáveis militares que falaram à agência de informação financeira Bloomberg, sob anonimato. De acordo com estes responsáveis, o acordo está finalizado e aguarda a formação de um governo civil e de um corpo legislativo para ser ratificado, antes de entrar em vigor. Nos últimos dias, a Rússia respondeu positivamente a alguns dos aspetos que os sudaneses queriam ver contemplados no acordo que permite a construção e operação de uma base naval no Mar Vermelho, incluindo a disponibilização de mais armas e equipamento militar. Os militares contactados pela Bloomberg não deram mais pormenores sobre o acordo, que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, disse na quinta-feira que faltava apenas a ratificação pelo Sudão. Este país africano tem estado sem um parlamento desde que uma revolta popular depôs, com a liderança dos militares, o antigo ditador Omar al-Bashir, em abril de 2019, e tem estado mergulhado num caos político desde que um golpe militar, em outubro de 2021, interrompeu a transição para a democracia. O acordo entre o Sudão e a Rússia foi conhecido em dezembro de 2021, e é parte dos esforços de Moscovo para recuperar uma presença naval regular em várias partes do mundo. O acordo de construção e utilização de uma base naval no Mar Vermelho permitiria à Rússia ter até 300 tropas russas, e simultaneamente manter até quatro navios em simultâneo, incluindo de energia nuclear, no estratégico porto do Sudão, no Mar Vermelho. Segundo o antigo chefe militar Viktor Bondarev, a base garantiria a presença militar russa no Mar Vermelho e no oceano Índico e faria com que não fosse necessário fazer longas viagens para chegar à região. Em troca, a Rússia dará armas e equipamento militar nos próximos 25 anos, com prolongamentos automáticos por 10 anos se ambas as partes concordarem. Em junho de 2021, o chefe militar do Sudão, o general Mohammed Othman al-Hussein, disse a uma televisão local que Cartum ia rever o acordo, e depois em fevereiro do ano passado houve reuniões entre as autoridades russas e o poderoso líder das forças paramilitares, Mohammed Hamdan Dagalo. Regressado de uma semana na Rússia, o general disse que o país não tinha objeções a que a Rússia ou qualquer outro país tenha uma base naval no país, já que não coloca qualquer ameaça à segurança nacional do Sudão: "Se qualquer país quer abrir uma base e é no nosso interesse e não ameaça a nossa segurança nacional, não temos nenhum problema com ninguém, russo ou seja de onde for", afirmou.

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