Ucrânia: Hipóteses de retirada ou ajuda a civis em Soledar e Bakhmut muito reduzidas, diz ONU
A ONU alertou hoje para a situação dos civis que permanecem nas cidades ucranianas de Soledar e Bakhmut, alvo de ataques pelas forças russas, frisando que, perante os intensos combates, as hipóteses de retirada ou assistência são muito reduzidas. A organização liderada por António Guterres, que cita dados das autoridades locais, adiantou que cerca de 7.500 civis permanecem nas cidades de Soledar e Bakhmut, na região ucraniana de Donetsk, alvo de bombardeamentos por Moscovo. "Com casas e infraestrutura destruídas ou gravemente danificadas, as pessoas procuram abrigo em abrigos. Devido ao duro combate, a capacidade de prestar assistência ou retirar os moradores remanescentes é muito limitada", realçou o porta-voz das Nações Unidas, Stephane Dujarric. Nas últimas horas, a empresa militar privada russa Wagner anunciou que assumiu o controlo de "todo o território de Soledar", embora algumas horas depois o Ministério da Defesa russo tenha apontado que várias centenas de soldados ucranianos ainda oferecem resistência no centro daquela cidade, praticamente reduzida a ruínas após meses de combates. Por outro lado, Kiev negou que a cidade, considerada um dos redutos das linhas defensivas ucranianas naquele setor da frente de combate no Donbass, tenha caído sob o controlo russo. Soledar, outrora conhecida pelas suas minas de sal, está localizada perto da cidade maior de Bakhmut, que os ucranianos continuam a defender há vários meses contra ondas de ataques das forças russas. A organização norte-americana Instituto para o Estudo da Guerra assegura que, apesar dos avanços perto de Soledar, as forças russas, auxiliadas pelo grupo Wagner, ainda não conseguiram o controlo total desta cidade. A sua eventual captura permitirá a Moscovo reivindicar uma importante vitória militar, após vários reveses desde setembro, além de permitir ao líder do grupo Wagner, Yevgeny Prigojine, reforçar a sua crescente influência no cenário político russo. A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 7,9 milhões para países europeus –, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento. A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas. A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.952 civis mortos e 11.144 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.