Iémen: Ataques com armas dos EUA e Reino Unido mataram pelo menos 87 civis – ONG
A coligação envolvida na guerra no Iémen e liderada pela Arábia Saudita matou pelo menos 87 civis em ataques realizados com armas fornecidas exclusivamente pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos, denunciou hoje uma organização não-governamental (ONG). Num relatório, que analisa o período entre janeiro de 2021 e o final de fevereiro de 2022, a Oxfam denunciou igualmente que estes ataques provocaram ferimentos em outros 136 civis. A ONG referiu que a coligação liderada pela Arábia Saudita usou unicamente armas fornecidas pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos da América (EUA) em centenas de ataques contra civis no Iémen naquele período. Os EUA são o maior fornecedor de armas à Arábia Saudita e o Reino Unido o segundo. A guerra no Iémen começou quando os rebeldes xiitas Huthis, apoiados pelo Irão, tomaram a capital do país em setembro de 2014 e levaram o governo reconhecido internacionalmente ao exílio. Uma coligação liderada pela Arábia Saudita, com armamento e apoio dos serviços de informação de outros países, sobretudo dos Estados Unidos, entrou na guerra ao lado do governo exilado do Iémen, em março de 2015. Sobre o apoio concreto do Reino Unido, corre uma batalha judicial há anos e o Tribunal de Recurso de Londres decidiu em 2019 que o Governo britânico agiu ilegalmente na venda de armas à Arábia Saudita que foram usadas na guerra no Iémen. No entanto, o tribunal não ordenou o fim das exportações para a monarquia do Golfo e, em resposta à agência noticiosa Associated Press (AP), um porta-voz do Departamento de Comércio Internacional britânico disse que o país opera com regras de "um dos regimes de controlo de exportação mais robustos e transparentes do mundo". O relatório da Oxfam retrata um quadro sombrio e Martin Butcher, autor do documento, referiu que analisou 700 ataques contra civis na guerra no Iémen durante um período de 14 meses, e que a coligação liderada pela Arábia Saudita, usando armas fornecidas pelo Reino Unido e pelos EUA, foi responsável por um quarto de todos os ataques verificados. A instituição contabilizou pelo menos 19 ataques da coligação contra instalações de saúde e ambulâncias e, além das mortes e feridos entre a população civil, 293 ataques aéreos forçaram as pessoas a fugir das suas casas. A guerra no Iémen matou dezenas de milhares de pessoas, essencialmente civis, segundo diversas organizações humanitárias. O conflito causou ainda milhões de deslocados e a pior crise humanitária no mundo, de acordo com a ONU.